Falar dos filmes do Almodóvar é difícil porque são pesados, intricados (e muito!) e profundos. Ainda mais quando não se quer revelar os motes do filme...
Bom, tudo gira em torno de um cirurgião plástico chamado Robert (Antonio Banderas) e de duas tragédias que o marcaram: perdeu de forma altamente dramática a esposa e a filha. Esse é o enredo por onde tudo vai se desenrolar...Ele usa uma mulher (Vera) como cobaia para testar sua criação: um tipo de pele revolucionária imune a mosquitos e à queimaduras. A relação dele com essa cobaia é de amor e ódio - a morte e o amor estão lado a lado.
Alguns paradoxos (coisa que é típica nos filmes do Almodóvar, diga-se de passagem):
Robert é frio e carinhoso; Vera quer morrer mas também quer viver ao lado de Robert; Robert é inescrupuloso e fiel; Vera é sincera e mentirosa.
O que me chama a atenção nos filmes de Almodóvar são os paradoxos da vida que ele mostra, os fatos inexplicáveis e sem sentido da existência e a polaridade humana que beira a loucura e a sanidade, o amor e o ódio, o carinho e a violência. Isso tudo num mix de sentimentos e eventos que fazem parte do humano e da vida. E que o homem é capaz de fazer o inimaginável, de atrocidades a coisas mais belas.
O título pra mim é que na pele e em tudo que ela envolve faz parte a vida de Robert. Toda a história da pele que ele desenvolve habitam o passado, o presente e o futuro dele. Tá inscrito na pele a história dele.
Achei o final surpreendente! Não ia imaginar...
E é bem chocante também:
"-Você me prometeu."
- "Mas eu menti."
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- (tiro)
- "Eu sabia."
Recomendo! Achei esse filme mais pesado que o de costume e não foi o que mais gostei do Almodóvar, mas vale muito assistí-lo. As atuações são ótimas e, claro, tem uns atores que já trabalham com o Almodóvar.
Nota: 8,8.
(Desculpem se não escrevi mais sobre o filme, mas é porque vou acabar revelando os momentos importantes e como tudo é interligado, fica complicado...)
