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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Babadook


Babadook é um filme de suspense tradicional: as pessoas começam a ver / sentir uma criatura dentro de casa. Começa pela criança e depois a mãe.
Diferentemente de filmes do gênero, onde, ao longo da história temos pistas da origem do sobrenatural, Babadook não tem nenhuma explicação. Não sabemos se é um espírito, uma maldição, se é o Diabo, o que pretende, mas é do mal.

Logo que assisti esse filme fiz uma análise, passado alguns dias surgiram outras interpretações. Três ao todo!

Antes uma pequena sinopse para quem não viu.
Moram numa casa, a mãe Amélia e o filho Samuel (deve ter seus 9, 10 anos). Samuel é uma criança muito agitada, ele é expulso da escola e começa a ser mal quisto pelas pessoas. A mãe, visivelmente cansada, trabalha num asilo acompanhando idosos.
Uma tragédia marca essa família - a morte do marido / pai acontece no dia do nascimento do filho.
Samuel tem pesadelos todos os dias e a mãe mal consegue dormir; até que ele começa a falar de um tal de Babadook e acha um livro "infantil" no estilo "Babadook vai te pegar". E o tormento começa. A mãe passa a não dormir mais, a ver a tal criatura, a perder o controle de si e do filho, a ficar estranha...a tal ponto de ameaçar o próprio filho.




CONTÊM SPOILERS!!!


Interpretação 1:
Babadook é real, apareceu por acaso, atormenta a família e pela coragem de Amélia, afugenta e trancafia a coisa no porão. Ok. Filme tradicional do gênero com um final diferente.

Interpretação 2:
Babadook é uma fantasia de Samuel. Ao longo do filme, Amélia não suporta o cansaço e o descontrole do filho e começa a medicá-lo para ele dormir. Samuel tinha pavor de perder a mãe e estava tendo problemas de socialização. Brigava com outras crianças, era provocado por elas e reagia agressivamente. Não seria o Babadook uma grande fantasia (estava sendo dopado) de forma que fosse mais suportável lidar com a perda do pai, o sofrimento da mãe (que também sofria o luto) e com as provocações? Assim, a mãe seria uma "heroína" para ele, o manteria seguro num mundo muito ameaçador.
Essa hipótese pode ser sustentada por várias passagens do filme.



Interpretação 3:
Babadook é uma metáfora do desespero humano. Me interessa mais essa hipótese.
Sendo o Babadook uma metáfora, ele é real e irreal. Existe para quem vive a situação de desespero e não existe para quem está fora.
Não é coincidência que Babadook "aparece" dias antes do aniversário de Samuel e de falecimento do marido / pai. É com a iminência da segunda data que Babadook faz sentido. Ele seria o desespero dessa família, o medo, o luto da morte e a não recomposição da vida da família.
Amélia não superou a morte do marido, Samuel não dorme porque tem pesadelos e Babadook surge como uma rememória do passado desastroso e como ainda pode desestruturar aquelas pessoas.
Babadook possui Amélia, a torna agressiva e hostil. Demonstrando sua fragilidade diante do medo que devasta sua vida.

Babadook é caricato, lembra um personagem de desenho animado, feito de papel. Amélia, numa de suas noites insones, assistindo tv, o vê na tela em filmes em preto e branco e em desenho animado. Não seria Babadook uma criação de seu próprio temor?

Por fim, ela afugenta a criatura para proteger seu filho que se esconde no porão. No clímax do filme, onde tem o confronto direto de Amélia e a criatura, Babadook se traveste do marido dela e chama pelo filho. Será que no auge da sua depressão e medo, ela estaria disposta a matar seu filho imaginando um lugar melhor para ele? Ao afugentá-lo, ela decide viver e é como se ela assumisse o controle sobre o medo, que a ameaça, que está ali, bem perto dela, ora personificado como monstro, ora como o marido. Há um processo de expurgação. Parece que os medos e as lembranças ruins sempre estarão conosco, muito próximas, inclusive fazem parte das nossas vidas, mas como lidamos com elas?

A interpretação da atriz que faz Amélia e do ator-mirim são excelentes!

Nota: 8.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Millenium - Os homens que não amavam as mulheres (The girl with the dragon tatoo)

Capa feinha... E a tradução, pra variar, péssima!
Acabei de descobrir que eu assisti à versão original que é sueca e não à americana que parece que foi lançada agora há pouco.

Resumidamente conta a história investigativa de um desaparecimento que aconteceu há 40 anos atrás, lá pela década de 60, e que ficou sem solução.

O filme dura quase 2h e meia e achei vários momentos dispensáveis, acrescentaram muito pouco ou quase nada pro enredo principal do filme... Por exemplo, as cenas em que Mikael é processado ou quando Lisbeth é humilhada pelo "tutor", ou o caso de namoradinhos entre Lisbeth e Mikael (que eu achei nada a ver), poderiam ter sido encurtadas, enfim.

Para quem gosta de histórias de mistérios, suspense e "charadas" vai gostar. A investigação é um trabalho minucioso, detalhista e o mais difícil, de revirar o passado. Mikael tem que remontar a história da família da moça que sumiu e tudo que existia por trás do véu de cada integrante. 

Mas vamos do começo. O patriarca da família contrata Mikael, um jornalista que acabou de perder um processo judicial, para fazer essa investigação. O coroa, tio da menina, tem um volume bem grande de coisas sobre a jovem guardado (eu achava, no início do filme, que pela quantidade de coisas, dava pra ele solucionar o caso, mas não dava não... Pô, o coroa tinha 80 anos... Ah, sei lá, viver 40 anos nessa angústia é demais). Na ocasião, a menina, Harriet, tinha 16 anos e desapareceu misteriosamente da ilha que pertence à família deles, ou seja, é uma propriedade privada. Lá faz muito frio e fica na Suécia.

O coroa acredita piamente que Harriet foi assassinada por alguém da própria família.

Mikael pede ajuda à uma hacker punk, Lisbeth, para a resolver o caso junto com ele (que por sinal tem uma história marcada por tragédias geradas por homens), e ela, além de seus conhecimentos tecnológicos, é decisiva. É uma mulher calada, estranha e fria. Ah, e violenta.

O desenrolar do mistério é interessante, dá pra acompanhar. Ficou confuso pra mim os muitos nomes e personagens na trama. E gostei do cenário gélido.

Considerei um furo quando Mikael contava tudo o que descobria para os integrantes da família que estava investigando, afinal, todos eram suspeitos, oras!

A descoberta do assassino não foi lá uma grande surpresa, mas depois, na continuação para o final, foi.

Achei exagerado Lisbeth resolver o caso de Mikael, aquele processo que ele havia perdido. Precisava matar o cara que ganhou a causa, mesmo ele sendo o culpado??

Ahhh, tem cenas fortes hein...

Nota: 6,5.