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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Confessions (Kokuhaku)

capa 1
capa 2 - bem legal
capa 3 - muito bom!
Confessions é um filme japonês e um dos melhores que fala sobre vingança que já assisti, se não o melhor. Diferentemente de Old Boy, que também é um filme sobre vingança, eu achei que em Confessions a vingança é proporcional ao mal gerado, em Old Boy não, a vingança é desproporcional, e isso faz toda a diferença, porque em Confessions eu "torci" pela vingança, tive até um sentimento de "fazer justiça"; em Old Boy a vingança é exagerada, é muito além do mal que foi feito.

É um filme muito cruel e pesado. Cruel mesmo. Mas sem cenas de violência explícita ou algo do gênero (até tem uma cena violenta, porém, definitivamente não é a cena mais forte do filme...). Então, como disse, é um filme que gira em torno de uma vingança engendrada por uma professora à seus alunos adolescentes. É isso mesmo.

o ideograma escrito no quadro significa "vida"
Yuko é uma professora que um dia, em sala de aula, anuncia duas coisas  sob o deboche dos alunos: aquele será seu último dia de aula (em que seus alunos comemoram) e, que descobriu que sua filha de quatro anos, chamada Manami, não morreu afogada acidentalmente como alegou a polícia, mas foi assassinada por dois dos seus alunos que ela sabe quem são e avisa que irá se vingar. Pânico.



A partir daí os fatos são colocados mostrando a rede de pessoas e acontecimentos, em ordem não-cronológica, revelando os detalhes da morte e da vingança sob a ótica dos envolvidos (por isso "confissões", os personagens principais confessam o seu íntimo e o filme é dividido em confissões).

Sangue no leite - essa imagem remete à uma das ardilosas "redenções forçadas" impostas por Yuko
A professora explora profundamente as fraquezas dos assassinos (que ela vai chamar de A e B) e vai manipular qualquer pessoa para que sua vingança seja a mais cruel e a mais dolorosa. O importante é que a vingança não é para matar os assassinos (quase todo filme do gênero é uma caçada para matar o assassino), mas sim, mantê-los vivos para sofrerem as consequências, se redimirem. Ela não tem planos mirabolantes e não usa de alta tecnologia para se vingar, é mais uma manipulação psicológica que varre para o ralo qualquer esperança de escaparem das consequências dos seus atos.
 
ápice do filme
As atuações, principalmente a dos dois meninos e a da professora, são excepcionais!
Outros pontos para discutir: o incômodo que a aluna (que se envolve com o A) sente ao perceber que os demais alunos se esquecem com facilidade do incidente, de como preferem viver o superficial em detrimento de lidarem com o difícil; de como o novo professor da turma é tão ingênuo que beira o ridículo e, apesar das ótimas intenções, inocentemente, sem saber, provoca sofrimento.


Spoilers daqui para baixo!

De fato, os dois meninos caem facilmente na trama armada por Yuko. Um, é mais resistente por ter a auto-estima mais elevada e ser um pequeno gênio, isso o faz se sentir superior às pessoas (o assassino A); o outro (o assassino B), mais frágil e vulnerável, foi duplamente vítima porque foi usado por A e porque participou do crime para ter um amigo (o A), e por "azar" é quem mata a criança (explico, o A foi quem planejou tudo e usou o B como cúmplice caso desse algo errado, mas o A era quem queria os "louros da vitória", era quem queria de fato ter matado a menina).


Cada menino, o A e o B, é marcado por histórias tristes; um, quer a atenção da mãe que o abandonou; o outro, quer ter amigos. Em essência, é essa a fragilidade dos dois e é exatamente onde Yuko atingirá sem piedade. E é nesse sentido que considero o filme pesado, porque os dois personagens (e quem estiver por perto) almejam nutrir sentimentos inocentes e puros - querer o amor da mãe e ter amigos é algo muito humano - que ao se fragmentarem fazem com que os personagens percam seu eixo da existência.


Vejo semelhanças nos três personagens: a perda da humanidade por causa da perda daquilo que os tornava humanos. Yuko diz no começo do filme que, quando Manami morreu, morreu também parte importante dela, assim como os meninos lutavam para manter um traço de humanidade buscando aquilo que os fizessem se sentir acolhidos e amados. Por fim, Yuko quer fazer justiça com as próprias mãos e destrói as esperanças dos meninos.

Nota: 10.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Django Livre (Django Unchained)


Devo confessar que não gosto muito do estilão dos filmes de Tarantino, mas gostei muito do Django Livre! É um filme com muita ação, drama, sangue e, claro, vingança. A vingança é o enredo principal do filme (bem como o de todos os filmes do Tarantino! rs!).

O contexto do filme é ambientando em pleno faroeste americano, antes da Guerra Civil Americana (Guerra da Secessão: 1861-1865), e existia a escravidão. O filme não nos poupa em mostrar os castigos, a exclusão e as humilhações infligidos aos negros. É muita angústia...

 


O filme se inicia com Schutz (Christoph Waltz), um caçador de recompensa,  que está em busca de um escravo que tem informações que ele precisa para caçar suas próximas "fontes de renda". Schultz trabalha para a Justiça, não é um matador por conta própria, tanto é que ele sempre se explica mostrando um mandato de algum juiz. Django é esse escravo que conhece as vítimas. Schultz o compra e fazem um acordo: Django mostra pra ele quem são as pessoas e o liberta no final da empreitada.

Django, ainda escravo à esquerda; Schultz à direita



Schultz é um senhor respeitador e educado que faz da lábia sua grande aliada. Ao longo da viagem, Django lhe confessa que após ser libertado, procurará por sua esposa que foi vendida para algum escravocata. Schultz, sensibilizado, faz outra proposta: trabalham juntos até o final do inverno, juntam dinheiro e vão em busca de Broomhilda, uma escrava que fala alemão. Schultz se justifica dizendo que ele jamais se recusaria a ajudar Django, que é similar a um guerreiro de uma lenda alemã, só que vivo.
Nessa longa jornada, Django vai se mostrando cada vez mais destemido e se destaca pela mira precisa, pela ousadia e pela forma como aprende a usar um discurso persuasivo tal como Schultz. Naquela época e nas situações em que os dois vivem, ou se conta uma boa e convincente história (e claro, ter uma impecável interpretação) ou a vida corre sério risco...

Django e Broomhilda
  Quando encontram o paradeiro de Broomhilda, elaboram um plano: fingem serem traficantes de negros lutadores para se infiltrarem e conquistarem a confiança de Calvin Candie (Leonardo Di Caprio), um jovem e poderoso proprietário de terras e fanático por lutas, dono da esposa de Django. Stephen (Samuel L. Jackson) é um criado antigo de Calvin, muito observador e perspicaz, é quase um conselheiro pessoal. Pronto, tá armado um enredo que dura quase 3h, com muitas reviravoltas e sangue.

Sr. Stephen (Samuel L. Jackson) e Broomhilda

  Embora seja um filme longo, não é cansativo, eu fiquei apreensiva a maior parte do tempo. A sensação que dá em cada cena é: "isso não vai dar certo". 
As atuações foram muito boas, destaco o ator que fez o Django (Jamie Foxx) e Samuel L. Jackson que está brilhante.
A trilha sonora é beeem legal, bem Tarantino, tem desde músicas de faroeste até rap. Doses de drama e violência combinados com humor também aparecem. Destaque para a cena onde homens encapuzados tentam armar uma emboscada para Django e Schutz e discutem a qualidade dos capuzes - é cômica. 
As intromissões do Sr. Stephen (Samuel L. Jackson), apesar de grosseiras, são engraçadas. 

Calvin Candie - cena tensa!
Posso dizer que Django, o personagem, é incansável. Está disposto a fazer tudo o que for possível para resgatar sua esposa (até se passar por um negro que tem desprezo por negros). Schultz se torna um amigo incrível, disposto a dar a vida por Django.  

a luta entre os escravos



Embora eu tenha gostado, não foi um filme que me suscitou muitas reflexões... Enfim, é um filme com as marcas clássicas tarantinescas, quem é fã vai gostar muito (até quem não é, como eu, gostei).

Nota: 8.