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terça-feira, 16 de abril de 2013

Histórias Cruzadas (The Help)



Esse filme fala do racismo e da coragem. E tem ótimas atuações.

Skeeter é uma moça, branca, que quer ser escritora e se sensibiliza com a vida das empregadas domésticas, na época, todas negras. Ela percebeu que essas mulheres além dos afazeres domésticos, cuidavam das crianças, geralmente de bebês até adultas, e eram consideradas muitas vezes como "mães", porque cuidavam de verdade, e eram elas as grandes responsáveis pela formação e criação dos brancos. Eram essas mulheres negras que formavam os "chefes" de indústrias, como não ouví-las? 
 
Aibileen
Skeeter é uma personagem peculiar, ela não segue os ditames da época: a mulher deveria se casar, ter filhos e ficar em casa. Ela sequer tem namorado e trabalha fora. Um escândalo. 

Skeeter
O filme é ambientado num período em que os EUA começavam a discutir os direitos civis e seu expoente máximo era Martin Luther King. Naquela época, a segregação era muito forte, e obviamente as empregadas não tinham espaço para falar nem para serem ouvidas; eis que Skeeter as busca para ouvir as suas histórias na intenção de publicá-las num livro. É claro que havia um receioóbvio por parte das empregadas  porque, caso alguém fosse descoberto (as histórias eram anônimas) elas seriam punidas por isso.

Existem algumas exceções, há "pessoas brancas" que respeitam os "negros" e "pessoas negras" que amam "brancos". Há também "pessoas brancas" que gostam dos "de cor", mas em nome de uma posição social, os ignoram e os desrespeitam. (uso aspas porque é muito estranho para mim classificar seres humanos em cores). Hilly (interpretada por Bryce Dallas Howard) é uma personagem odiosa, ela irrita qualquer um! Ela é a personificação do racismo. Ótima atuação!

Hilly e os banheiros
A "caipira" vivida por Jessica Chastain é ingênua e não vê diferença entre ela e sua empregada - a esquentada Minny (ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante) - a trata como alguém igual. Inclusive, achei a atuação das duas muito boa. É emocionante quando Celia (a personagem caipira) agradece à Minny por tudo... Inclusive, Celia é vítima de preconceito também... ela é ignorada pelas demais mulheres por ser considerada "caipira" e "fora de moda".

Celia e Johnny
Skeeter não tem vergonha e nem se intimida com os preconceitos da época, se lança ao seu sonho de ser jornalista e tenta entrevistar o máximo de empregadas negras, e confronta todos aqueles que são preconceituosos.

Curiosamente o filme dá ênfase às personagens femininas, os homens pouco aparecem, quando aparecem são geralmente retratados como covardes (o marido da Hilly que "escapa" quando a nova empregada pede um empréstimo), violentos (o marido da Minny que a espanca) e bobocas (como é o caso do pretendente da Skeeter) . Acho que o único que se "salva" é o marido da "caipira", que vê Minny de maneira igualitária.

parte do elenco
A primeira pessoa que aceita ser entrevistada, Aibileen, é uma personagem incrível e é a que mais aparece.  Aos poucos ela vai convencendo as demais mulheres a concederem  entrevistas para contar suas histórias e elas aos poucos vão revelando seus segredos.

Minny e Aibileen



O filme é isso, mostra a coragem de mulheres em revelar histórias de violência, desrespeito, mas também de afeto e amor que simplesmente não eram contadas, e que faziam parte da história de uma cidade, de uma país. E tudo isso começou porque uma jovem decidiu escrever sobre o que a incomodava.

Tem momentos de humor (como o da torta) e de emoção (como a história de Skeeter com a Constantine). A cena que mais me impressionou foi quando Skeeter relembra do seu laço afetivo com a empregada que trabalhou na sua casa por muitos anos, Constantine, e como a relação das duas foi importante para ela ser quem é.
 
Constantine e Skeeter quando era criança
No filme tudo acaba bem, embora eu tenha a impressão que naquela época as coisas eram muito piores...

Me ficaram duas perguntas:
O que fazemos com aquilo que nos incomoda? Será que "escrevemos" uma nova história?

Nota: 8.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Rebelle - a feiticeira da guerra


 Rebelle é um filme sensacional! 

Começa pela narração de uma menina sobre sua vida ao seu filho, que ainda está na barriga. Komona, a protagonista, é raptada por um grupo rebelde para integrar a milícia que vive na floresta e combate o governo. Não se sabem as razões reivindicadas pelo grupo, só sabemos que vivem em guerra. Komona é forçada a matar seus pais e a viver como uma rebelde. Ela tem 12 anos. Vários outros jovens são capturados como ela e são treinados para matar.



Komona, assim como todos os demais guerrilheiros, usam drogas alucinógenas e revela um dom: consegue ver os mortos. Ela então é considerada uma feiticeira, que é levado muito à serio, e tem um certo prestígio por causa disso.


Mágico é um dos meninos que integra a milícia rebelde e revela estar apaixonado por Komona, pedindo-a em casamento, e eis que ela faz uma exigência aludindo ao que seu pai sempre lhe falava: namorar uma menina não é fácil, para isso é preciso que o pretendente lhe dê um galo branco. Um galo branco é quase um mito na região em que vivem, a maioria diz que não existe.

Essa história inocente de amor é o único alento dos dois jovens, que desconhecem qualquer outra forma de convivência que não sejam os trabalhos forçados da guerrilha e os combates contra os soldados do exército. A morte é tida como um acontecimento corriqueiro, simplesmente fazem o que mandam. Não questionam o porquê de terem sido retirados de suas terras e de suas famílias, o porquê de matarem, qual a razão de tudo aquilo. Vivem como acham que têm que viver.

Por um tempo, o casal foge do grupo terrorista, mas a feiticeira é levada de volta ao grupo à força. Daí pra frente tem uma reviravolta...


É um filme triste, que me fez pensar bastante. Primeiro, essa é uma realidade que infelizmente existe, a de recrutar jovens-soldados para a guerra, não só no continente africano, mas em bairros cariocas, por exemplo. Quem assistiu o documentário brasileiro "Falcão - os meninos do tráfico" sabe disso.
Outro aspecto que me fez pensar foi no sofrimento infligido aos jovens é ao mesmo tempo tão intenso, mas também tão aceito pelos personagens que dói com mais força. Não se faz nada, a única "reação" é aceitar placidamente os acontecimentos. 
Outra coisa que torna o filme mais interessante é o amor entre os dois jovens. O Mágico é petulante e corajoso, mas como é de se esperar, tem um final trágico e Komona é uma menina destemida. No fim fiquei pensando com o coração apertado: o que será dessa juventude?

Destaque para a trilha sonora que privilegia os cânticos locais. A fotografia é sensacional! A interpretação dos dois jovens principais é incrível!

Nota: 10

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

As Flores da Guerra / Flores do Oriente

É um filme ambientado durante a guerra sino-japonesa em 1934 e conta a transformação de um homem chamado John (Christian Bale) que de charlatão passa à padre para salvar as meninas do convento e algumas mulheres de um bordel. 


O cenário é um convento onde estão abrigadas as meninas e, depois, algumas mulheres prostitutas, todas chinesas. O país é a China e o filme consegue retratar a realidade dessa guerra. Os japoneses foram extremamente cruéis com o povo chinês, fosse com militares ou não, e o filme mostra toda a violência ao qual os chineses foram submetidos. É muito triste.


John chega ao convento como um fanfarrão - se esconde, quer dinheiro da igreja e tenta seduzir uma das prostitutas para uma noite, mas aos poucos ele vai sendo chamado a participar do sofrimento alheio, as mulheres e as meninas são alvo constante dos ataques dos soldados japoneses - estupro em massa era muito comum. Logo no início, resta um último pelotão chinês, e de cara, vemos o sentimento da guerra: morrer para matar. Resta um único soldado, exímio atirador, que num último ato de bravura leva aos cuidados das meretrizes um garoto que foi ferido e, sozinho, mata um pelotão inteiro japonês. 


John se envolve cada vez mais na situação, até que recebem uma inesperada surpresa: o exército japonês promete proteção às chinesas levantando suspeitas. O que pretendiam os nipônicos? John se passa por padre para protegê-las, enquanto as mulheres ficam escondidas.


Me emocionei várias vezes no filme pelo sofrimento, pelo amor, pela coragem, tanto das crianças quanto das cortesãs. De início cada um pensa em si, mas depois a compaixão e a coragem falam mais alto, e numa guerra, isso é correr risco de vida.


Não posso deixar de dar os créditos ao menino George, filho do padre responsável pela igreja que foi morto, que tinha como missão pessoal proteger as meninas. Ele que se questionava se tinha essa capacidade, demonstra ser um grande herói.


Achei que o papel de Christian Bale poderia ter sido mais impactante, achei ele muito "americano": tentava suavizar aquilo que era de mais aterrador. Senti falta de alguma cena dele de total desespero, achei que pedia isso. Porque a história vai se encaminhando prum final de sacrifícios, e ele está no meio disso como o salvador. É uma situação muito desesperadora.


As atuações foram as que mais me impressionaram, as crianças, os soldados, as mulheres, o menino, todos foram incrivelmente tocantes, passaram o medo e o sofrimento em que viviam.
Aos poucos vai se revelando que todos os personagens foram marcados durante suas vidas por intensa dor. É terrível.


É um filme que vale muito ver pelo cunho histórico e pelas belas atuações. Embora não seja um filme de guerra, mostra muitas cenas da guerra. 


Atenção às canções cantadas no filme... Lindas!


Nota: 10.


Abaixo um link com mais uma crítica e o trailer.
http://www.cinemadetalhado.com.br/2012/01/critica-as-flores-da-guerra-flowers-of.html