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quarta-feira, 4 de março de 2015

O jardim das palavras & A árvore do amor

A árvore do amor

O jardim das palavras

Vi os dois filmes em dias seguidos e não pude deixar de notar as coincidências surpreendentes!



O jardim das palavras é uma animação japonesa de 2013 que nos presenteia com uma belíssima estética e trilha sonora. É muito bonita.
Fala do encontro inusitado de um casal - um colegial que pretende ser sapateiro e uma mulher misteriosa - num jardim japonês público em dias chuvosos pela manhã.

"Dias de chuva traz um pouco o cheiro do céu".

Essa fala de Takao, o estudante, é de uma delicadeza e sensibilidade que nos é mostrada ao longo da animação. No jardim ele vai para desenhar modelos de sapato, ainda é um iniciante. Ela, Yukino, leva latas de cerveja e chocolate e tem um olhar distante e triste, além de ler e recitar poemas (acho que era um poema).
Esse encontro vai se desenvolvendo a ponto de ambos torcerem pela chuva (para se reencontrarem) e se apaixonam.
A animação tem tomadas de cenas belíssimas, sempre mostrando os sapatos que Yukino usa, além de seus pés.
É uma paixão inocente e libertadora. Libertadora em vários sentidos. Ela se apresenta triste e "desleixada", a casa é uma bagunça, é desajeitada em preparar sua própria comida; com o passar dos encontros o filme nos mostra que há uma mudança: agora ela quebra os ovos sem derramar! rs! Mostra um cuidado de si que antes não havia.
Takao é um menino que estuda, trabalha muito e ainda se dedica ao ofício de sapateiro. Na cena final, ambos entram numa catarse libertadora, mas ainda assim, inocente.

Obs: após os créditos, tem cenas extras!


A árvore do amor é um filme chinês de 2010. Nos mostra o período da Revolução Cultural Chinesa (déc. 60, 70) onde uma estudante, Jing, é enviada para uma reeducação com os camponeses e lá conhece Sun, mais velho que ela e nasce um amor pueril, extremamente inocente. A família dela é perseguida politicamente e ela e a mãe, para sobreviverem, precisam seguir estritamente as normas e não cometerem erros.
Jing parece ser muito jovem, conhece pouco ou quase nada da vida, é muito tímida; Sun, um rapaz sorridente, trabalha no departamento de geologia do exército, a acompanha à distância, a trata com muito carinho e cuidado.
É engraçado ver um amor tão inocente assim. Quase não existe o toque, Jing não o encara, as "aventuras" proibidas são tão puras... Há uma total contenção dos sentimentos.

A atuação da atriz que faz a menina é incrível! Os dois protagonistas são lindos.





As coincidências.

Ambos os filmes mostram o amor entre uma pessoa muito jovem com uma pessoa mais velha.
Os dois filmes têm um cenário incrível, bucólico.
A referência aos pés femininos aparecem nos dois: quando Takao vai tirar as medidas dos pés de Yukino e quando Sun lava e cuida das feridas nos pés de Jing.
E o que mais me chamou a atenção: a inocência do amor. No A árvore do amor, mesmo no final angustiante, Jing não toca em Sun. Ela chora, mas não o abraça, não o beija. O mesmo acontece no O jardim das palavras, há uma inocência infantil e ao mesmo tempo madura. Em ambos os filmes não há sedução, erotização, "cenas quentes", nada disso, tem outra coisa. Acho que o nosso tempo nos fez esquecer que o amor pode nascer da pureza, do olhar, do cuidado verdadeiro com o outro.

quem assistiu o filme, sabe que essa imagem é tocante no final!


Tiveram coisas que não gostei nos dois filmes, mas me ganharam pela beleza.


Nota para O jardim das palavras: 8.
Nota para A árvore do amor: 7.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Relatos Selvagens (Relatos Salvajes)


O filme é um conjunto de 6 histórias onde o fio que os conecta é o extravasamento dos limites humanos. Até onde você acha que iria numa situação de crise? Ou, até onde você gostaria de ultrapassar todos os seus limites para "fazer justiça"?

Os personagens vivem esse dilema e são levados pelas emoções totalmente. Acho que a única história em que a personagem racionaliza o que deve fazer é a história do bar e o mafioso. Os demais personagens não pensam na ética dos seus atos, mas sim, em fazer "justiça" com as próprias mãos que beiram o irracionalismo e a loucura.



Todas as histórias são brilhantes e incríveis! A história que mais me cativou foi a do casamento, sem dúvidas. Todas as histórias valem uma análise aprofundada, porque merecem, mas vou me ater à última.


O que você acha que faria se descobrisse na sua festa de casamento que seu/sua noivo/a a/o trai?

A noiva em questão descobre que o seu noivo a trai, e a amante está lá, na festa. Adiante segue-se uma sequência de humilhações e a festa vira uma cena de espetáculo que é ao mesmo tempo trágica e engraçada. O absurdo nos choca mas também é enfadonho, a gente ri. Esse é um outro grande trunfo do filme, fala-se das desgraças e das irracionalidades humanas (por vezes, justificáveis) que muitas vezes são cômicas, porque beiram o absurdo. O episódio do carro onde dois homens brigam violentamente porque tudo começou com uma "ofensa de trânsito" é exemplo dessa ironia: o filme termina como se fosse um crime passional! Pareceu que o ódio os uniu. Olha o paradoxo!



Voltando ao episódio do casamento. A noiva que parecia ingênua e desinteressante (achei que ela estava "brega" com aquela roupa de noiva, o cabelo, sem maquiagem) vai se transformando numa mulher muito poderosa. A loucura a potencializa. Acho até que para o final do episódio ela está mais bonita, com os cabelos soltos e despenteados, mais viva. O noivo vai sofrendo, as famílias em choque, as amigas em transe. Parece um campo de guerra depois da batalha: pessoas passando mal, médicos atendendo. Até que o noivo também chega ao seu limite e depois de passar por toda a humilhação e a noiva depois do combate e tendo ostentado a humilhação da traição do modo como foi, se entregam para aquele final esplendoroso: o casal está quite.

O filme é excelente, as atuações são brilhantes!

O filme me lembrou muito os de Almodóvar pelo absurdo dos desdobramentos e pela trilha sonora "inusitada" em alguns momentos. O episódio do avião, o primeiro, me lembrou muito Os Amantes Passageiros deste diretor. É absurdo, é catastrófico e hilário!

Ricardo Darín, como bem é seu perfil, está num episódio político. Um cidadão que fica preso numa rede burocrática e corrupta sem saída. E o contrassenso é que o personagem dele alcança no desfecho muito daquilo que perdeu (por causa da multa) e de quando era uma pessoa "normal". Ele está preso, mas é famoso ("Bombito"), tem o apreço de sua família e amigos.


A única história da qual achei trágica do início ao fim foi a do jovem riquinho que atropela e mata uma grávida e a família tenta "resolver" aos seus modos. Realidade do Brasil, é uma história que sabemos que acontece sempre: quem tem muito dinheiro consegue manipular os fatos. O impressionante é que a dimensão humana da tragédia não entra no jogo, e o destino das pessoas e da "verdade" são decididas por uma troca comercial, onde o que está em jogo são os interesses financeiros e o "nome" da família "de bem". Ética e justiça nesse episódio absolutamente não existem, o valor da vida, ali, não existe. Num momento crítico de estresse, em meio à negociação, o pai da família fala que o filho é quem deveria se entregar para a polícia, mas claro, isso foi só um desatino, o dinheiro apaziguou tudo no final.

Nota: 10.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Her (Ela)

Pôster emblemático! Diz muito do filme.
O filme retrata uma nova configuração de amor onde o protagonista (Theodore) se apaixona por um sistema operacional (Samantha - voz de Scarlett Johansson), e ela por ele. Para mim foi difícil admitir que essa relação seria possível e que, de fato, fosse legítimo, porque para mim, essa não é uma forma de relação, é no fundo um encapsulamento de si, é solidão. No entanto, não é isso que o diretor se ocupa, ele explora essa relação que dá certo!




O filme parece se passar num futuro, porém, nada de carros voadores e roupas esquisitas, é tudo muito parecido com o nosso tempo, só a tecnologia e alguns serviços mais "avançados" que se diferenciam, aliás, as roupas e o bigode de Theodore são vintage total. rs! É legal fazer a observação "desse mundo": as cidades são comuns, com seus arranha-céus; as pessoas individualistas, falando nos microfones acoplados aos seus fones e olhando para as telas de seus celulares (ou, sob outra perspectiva, ouvindo e olhando seus amantes/amigos); o apartamento de Theodore tem um ar clean, é amplo, com janelas imensas onde se vê as luzes da cidade, monocromático.




Theodore é um cara solitário, se separou da sua ex-esposa (mas ainda não assinou os papéis da separação oficial), trabalha numa empresa cujo objetivo é escrever cartas, mora só, joga uma espécie de vídeo-game em 3D e sonha com a ex-esposa. O trabalho de Theodore é bem curioso, ele é contratado para escrever cartas, e ele as escreve profunda e sensivelmente para pessoas ou casais que ele acompanha há anos, ele conhece bem essas pessoas.

no trabalho
Até que ele conhece esse Sistema Operacional (S.O.) que foi desenvolvido para ser uma inteligência artificial mais próxima da personalidade e sentimentos humanos. Para Theodore, ela se chama Samantha e a relação vai se aprofundando de ciúmes até um amar o outro. Não há tentativa de corporificar Samantha (obs: tem uma tentativa sim, por parte dela, mas pontual, que não foi bem sucedida), ela até hipotetiza ter um corpo, ser alguém, mas logo desiste, aquela relação dá conta de seus sentimentos, Theodore também não sente essa necessidade, em termos sexuais, os dois se dão bem. Eles viajam, saem com os amigos, tudo muito natural. Seria essa relação real? Não acho que o diretor tenha tido essa preocupação, é real porque os dois vivem as emoções e as preocupações que qualquer relacionamento amoroso provoca e ponto.




Samantha, é um personagem incrível também, sua voz é a personagem na verdade; ela vai se desenvolvendo e se tornando um S.O. cada vez mais desenvolvido e autônomo. Por um lado, essa autonomia promove coisas maravilhosas para os dois e para Theodore, mas, por outro lado, acarreta problemas...



Fato é que, superando qualquer preconceito, esse amor amadurece os dois, ensina muito aos dois.
Obs: acontece uma cena muito interessante no filme. Theodore tem um encontro (arranjado) com uma moça, ela muito atraente e bacana, o encontro sai super bem, mas ele titubeia... parece demonstrar dúvidas se quer continuar com aquilo... Seria o relacionamento "virtual" mais interessante? Seria o fantasma da ex povoando seus sonhos? Aliás, Theodore, só sonha com a ex, não tenta personalizar Samantha... Interessante, não? Theodore não consegue assinar os papéis do divórcio, mas parece preferir Samantha que é um S.O.... Assumir relações intensas e próximas não é facil... Para mim, Theodore é um romântico, sensível e solitário.



O cartaz do filme e o título são emblemáticos e geniais.
O cartaz mostra cores quentes e intensas, estereótipo de "paixão", mas o rosto dele demonstra algo de sofrido, de incômodo.
Embora eu não seja versada no idioma inglês, o pronome "her" nunca é sujeito, é sempre um pronome que se refere a alguém feminino.
Acho que são dados de análise que dizem alguma coisa sobre o filme: Samantha não é sujeito dessa história, ainda que fosse um S.O. brilhante... E Theodore, solitário que é, talvez não tenha ficado satisfeito com o desfecho da história.

As atuações são incríveis! Joaquin Phoenix está excelente! A voz de Samantha é sensacional, talvez esse filme dublado em outra língua perca muito.

Nota: 10.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Rebelle - a feiticeira da guerra


 Rebelle é um filme sensacional! 

Começa pela narração de uma menina sobre sua vida ao seu filho, que ainda está na barriga. Komona, a protagonista, é raptada por um grupo rebelde para integrar a milícia que vive na floresta e combate o governo. Não se sabem as razões reivindicadas pelo grupo, só sabemos que vivem em guerra. Komona é forçada a matar seus pais e a viver como uma rebelde. Ela tem 12 anos. Vários outros jovens são capturados como ela e são treinados para matar.



Komona, assim como todos os demais guerrilheiros, usam drogas alucinógenas e revela um dom: consegue ver os mortos. Ela então é considerada uma feiticeira, que é levado muito à serio, e tem um certo prestígio por causa disso.


Mágico é um dos meninos que integra a milícia rebelde e revela estar apaixonado por Komona, pedindo-a em casamento, e eis que ela faz uma exigência aludindo ao que seu pai sempre lhe falava: namorar uma menina não é fácil, para isso é preciso que o pretendente lhe dê um galo branco. Um galo branco é quase um mito na região em que vivem, a maioria diz que não existe.

Essa história inocente de amor é o único alento dos dois jovens, que desconhecem qualquer outra forma de convivência que não sejam os trabalhos forçados da guerrilha e os combates contra os soldados do exército. A morte é tida como um acontecimento corriqueiro, simplesmente fazem o que mandam. Não questionam o porquê de terem sido retirados de suas terras e de suas famílias, o porquê de matarem, qual a razão de tudo aquilo. Vivem como acham que têm que viver.

Por um tempo, o casal foge do grupo terrorista, mas a feiticeira é levada de volta ao grupo à força. Daí pra frente tem uma reviravolta...


É um filme triste, que me fez pensar bastante. Primeiro, essa é uma realidade que infelizmente existe, a de recrutar jovens-soldados para a guerra, não só no continente africano, mas em bairros cariocas, por exemplo. Quem assistiu o documentário brasileiro "Falcão - os meninos do tráfico" sabe disso.
Outro aspecto que me fez pensar foi no sofrimento infligido aos jovens é ao mesmo tempo tão intenso, mas também tão aceito pelos personagens que dói com mais força. Não se faz nada, a única "reação" é aceitar placidamente os acontecimentos. 
Outra coisa que torna o filme mais interessante é o amor entre os dois jovens. O Mágico é petulante e corajoso, mas como é de se esperar, tem um final trágico e Komona é uma menina destemida. No fim fiquei pensando com o coração apertado: o que será dessa juventude?

Destaque para a trilha sonora que privilegia os cânticos locais. A fotografia é sensacional! A interpretação dos dois jovens principais é incrível!

Nota: 10

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Valente (Brave)


Valente é um filme ótimo para o público infantil - fala da relação mãe-filha, dos desejos juvenis, das travessuras, da ousadia, do perdão e do amor. É claro que como um bom filme em que tenha uma princesa, tenha também uma bruxa, um feitiço, essas coisas. Só não tem príncipe!
Para o público adulto alguns furos podem não passar despercebidos... Mas para um filme considerado "infantil", é bem diferente do que costuma ser.


A animação é muito bem feita! Os cenários (o filme se passa na Escócia medieval) e os efeitos são incríveis. As canções e a trilha são bacanas (eu assisti dublado, não sei como tá no original. Mas li que no original as canções estão muito melhores).

Valente conta a história de uma princesa, Merida, uma menina fartamente ruiva que vive em conflito com seus pais (sua mãe principalmente, a rainha Elinor) a cerca de seu noivado e seus futuros pretendentes. Merida é uma aventureira e amante do arco-e-flecha e de cavalgar no seu cavalo. É uma menina corajosa, petulante e ousada. Por outro lado, como tradição de seu reinado, ela enquanto princesa precisa se noivar e ser uma bela "dona de casa". Sua mãe é uma rainha impecável, a etiqueta, o casamento e sobretudo a perfeição são indispensáveis para Merida, segundo a mãe. Merida quer se ver livre das amarras da "tradição", ela não combina com a "fineza" do reinado... Seu principal desejo é "escrever seu próprio destino".


Seu pai, o rei Fergus, é um grandalhão divertido que pensa constantemente em se vingar de um enorme urso que o atacou quando Merida ainda era uma criancinha e arrancou-lhe o pé. Ainda tem os trigêmeos e suas intermináveis travessuras pelo reino.

Por fim, a mensagem que ficou é que coração é o mais importante. É não se impor a regras que vão contra ao que o seu próprio coração deseja, porque assim, será infeliz. Mostra que o diálogo, no caso de mãe e filha, resolveria todos os problemas! (Coisa que o feitiço mostrou às duras penas). Ah, sem falar que é muito legal o fato de que para ser feliz não precisa de um príncipe. rs!
Outro ponto interessante é que a "família" não é perfeita; ela vai se construindo à medida em que seus integrantes trocam experiências e afetos. Até a rainha (que era impecável) teve que aprender a entender o coração de sua filha, e Merida aprender a perdoar. Não sei vocês, mas a Disney sempre seguiu uma tradição moralista nos seus filmes...


Me irritou um pouco a Merida gritando o tempo todo: "MannnhhhêêÊÊêê!", seja para brigar ou para repreender a mãe-urso. Achei a cena em que o rei e os clãs vão em busca do urso no castelo longa demais. No final do filme, quando Merida discursa para todos os clãs e sua mãe transformada em urso tenta passar despercebida, além de ninguém perceber que tem um urso lá, o rei não percebeu! Logo ele que sente o cheiro de longe de urso! Mas tudo bem, nada que comprometa o enredo... rs!

O filme reserva pitadas de humor infantil, tensão e o final é emocionante. Devo confessar que chorei no final! Destaque para a cena da luta entre os ursos no final do filme. Legal!

OBS:O Stonehenge tem um papel importante: é palco das principais intrigas que aparece no filme.

Nota: 7.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

V de Vingança (V for Vendetta)

Pois é, é um filme que fez muito sucesso e já tem uns aninhos que foi lançado (em 2005), mas nunca tinha visto. É um filme que me lembrou muito o filme 1984 e o período da ditadura no Brasil e a Comissão da Verdade.

O ambiente é num futuro e se passa na Inglaterra. O país é controlado por um partido de regime totalitário onde a mídia (a televisão principalmente) é manipulada pelo governo a transmitir somente informações que lhe interessam e reforçam a submissão da população ao Estado.





Eis que surge V, um homem mascarado, vestido todo de preto com uma capa, luvas e chapéu, fazendo alusão à um personagem histórico chamado Guy Fawkes (a máscara é inspirada em seu rosto) que foi enforcado em 1605 na Inglaterra acusado de traição. Sua aparição é para dar um recado à população: em um ano uma revolução vai acontecer, e mais, o povo é o soberano.
A origem de seu codinome - V - remete ao seu passado, que aos poucos é desvendado no filme.



SPOILERS!

Antes desse partido assumir o poder às escondidas eles capturaram pessoas consideradas "degeneradas" e "subversivas" tais como homossexuais e pessoas que pensavam contra o partido para serem cobaias de um novo vírus. Uma única pessoa parece ter reagido bem (ou seja, não morreu) ao vírus, essa pessoa ficava na cela "V". A pesquisa termina por causa de um grande incêndio (não sei como isso aconteceu...) e tudo é devidamente ocultado. Todos os registros e arquivos são apagados, perdidos ou secretos. Nada ou ninguém pode falar sobre esse assunto e, obviamente, a culpa recaiu sobre inocentes que foram eficazmente mortos. Fim de papo.

Por fim, espalharam esse vírus em duas cidades e com parceria com a indústria farmacêutica "descobriram" um remédio que combatesse o tal vírus (este remédio já tinha sido descoberto e fabricado na época da pesquisa nas cobaias) e assim, o tal partido assumiu o poder "legitimado" pelo povo (só que o povo não sabia dessas mentiras...).



SEM TANTO SPOILERS!

Ou seja, V está diretamente ligado a esse passado secreto e quer vingança, mas ao mesmo tempo em que sua vingança segue em andamento, ela por si só é uma grande revolução porque questiona o poder estabelecido e revela aos poucos a verdade.


V é um homem altamente culto, inteligente e educado. Ao ver sua casa, desconfiei que nesse país fosse proibido ouvir música, ter outras religiões que não fosse a do Chanceler, ver filmes, conhecer a História, as Artes, enfim, tudo era controlado e vigiado. Os detentores do poder são corruptos, unilaterais e violentos e a vingança de V é magistralmente arquitetada.

Eu achei que a personagem de Natalie Portaman, Evey, quase secundária. Achei que fosse ter um papel mais ativo na Revolução já que sua vida fora marcada diretamente pelos mesmos motivos que marcaram a vida de V, mas não... embora sua atuação seja ótima.



Por fim, V deixa seu legado naquele país e ele deve isso à Evey por ela ter despertado nele o amor. E olha que só fui saber que eles se amavam no fim do filme! Em nenhum momento aparece o rosto de V, mesmo porque isso não era o mais importante, mas sim o que ele representava.

O filme retrata muito bem a realidade de muitos países atualmente: a manipulação das informações pelo poder segundo seus interesses, o controle e a repressão daquilo que é considerado "subversivo" e "terrorista", a violência como mantenedora da ordem e a única razão pela qual os representantes políticos formais existem é desvalorizado - o povo. V questiona essa lógica e propõe o inverso: a revelação da verdade e a retomada do poder pelo povo. Ah, é tudo não é tão lindo assim, V mata uma galera ao longo do filme...

Curiosidade: o ator que interpreta V é o mesmo que interpreta o Agente Smith do Matrix! O nome dele é: Hugo Weaving.

Fiquei me perguntando: será possível uma revolução sem que a violência seja a estratégia principal?

Nota: 10.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Amigos Improváveis / Intocáveis (Intouchables)

É um filme que mostra como uma relação de amizade pode ser transformadora.

Conta a história de Philippe, um homem de meia-idade tetraplégico e muito rico e de Driss, um rapaz bem petulante que tem um histórico conturbado e de origem pobre; apesar de contra-indicações, Philippe o contrata para ser seu cuidador. E daí vai se construindo uma amizade cada vez mais forte.

Driss com o seu jeito moleque e animado mostra ao soturno Philippe um outro lado da vida muito mais interessante e vivo. Por outro lado, Philippe aposta e também mostra "o seu lado da vida": um lado culto, artístico, cultural, coisa que Driss desconhecia.

O amor, que parecia algo tão distante quanto improvável para Philippe, se torna uma possibilidade real, desde que Driss tem a iniciativa de mostrar à Philippe que sua condição de vida não o impedia de amar e de viver uma nova experiência com alguém.

E assim, os dois vão rompendo barreiras pessoais por meio dessa amizade.

Duvidei um pouco se alguém não ficaria minimamente desconfiado ou aborrecido frente às petulâncias de Driss... rs! Ele contrariava, desobedecia, era muitas vezes inconveniente e negligente nos cuidados e no convívio com Philippe e sua equipe de empregados, por outro lado, penso que foi justamente esse comportamento "desviante" que fez com as coisas e as pessoas mudassem... Era tudo muito certinho, ordenado e sem graça, às vezes o caos surge para gerar a mudança! Do monocromático a vida assume cores!

Fiquei com dúvidas do porquê Driss saiu do emprego de cuidador... Não entendi.

No final percebemos o quanto Driss era importante na vida de Philippe...
Ah, e é um filme baseado em fatos reais.

Nota: 6,8

quarta-feira, 21 de março de 2012

Toda forma de amor (Beginners)

Foi um filme que eu vi em duas partes: vi 1h do filme e decidi dormir. Achei muito chato e contou a mesma história em 1h. Depois, num outro dia, vi da metade pro final e gostei! Poderia ter sido isso o filme: da metade pro final, não ia perder nenhuma informação muito importante. 

Oliver (Ewan McGragor) é um rapaz solitário e pacato que enfrenta um drama: seu pai, um coroão, anuncia que é homossexual e está com um câncer terminal. Sua mãe já é falecida há alguns anos.

NUma festa em que está fantasiado de Freud (!) conhece uma moça, Anna, com quem irá se relacionar, isso depois da morte do pai (não é um spoiler, ok?). E essa relação resgata de Oliver tudo aquilo que ele não se colocava a experimentar. Ao mesmo tempo ele conta à Anna sobre seu pai e em todo o filme ele relembra cenas e situações de seus pais. Seu pai era uma figura bem interessante.

Vem lhe à mente a imagem de sua mãe triste e amargurada com o casamento, e a de seu pai, depois de ter se assumido, com o namorado, em festas, em comemorações. O pai de Oliver, Hal, era um coroa muito ativo, divertido e animado, mesmo muito doente, e Oliver passivo, ficou marcado esse contraste entre pai e filho. Ele amava a vida, seu namorado e amigos.


O modo como o filme é contado é bem legal, é cômico; sem falar nas legendas do cachorro Arthur. rs!
Achei que a relação de Oliver e Anna, parecia de namoradinhos adolescentes: andar de patins pela cidade, eles ficavam dias no hotel "curtindo a vida", ela, uma atriz que nunca trabalhava, saíam à noite pra pichar muros e outdoors com dizeres inusitados... sei lá. Não achei isso muito real.



Bom, o trabalho de Oliver já não vai bem e sua vida está bastante sem graça... Oliver vai quebrando o gelo do seu coração quando se vê tendo que ir atrás de Anna e a se reconciliar com o ex-namorado de seu pai. Nesses dois casos o amor está diretamente envolvido: ele ama Anna e Andy (ex do pai) amava Hal.

Uma parte que achei interessante é quando Oliver pergunta ao pai, que está num leito de hospital, porque ele viveu tantos anos casado com uma mulher. Hal diz que foi porque ela sempre soube que ele era gay mas, mesmo assim, por amor, quis ficar com ele, acreditando que ela podia "dar um jeito".

O ator que faz Hal, Christopher Plummer, ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante, mas pra mim, quem arrasou mesmo foi o cachorro Arthur! rsrs! (A atuação de Christopher é boa, ele é um gay muito carismático!)

Nota: 5.