sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Albert Nobbs

É um filme em que realmente a Glenn Close está sublime, que interpretação! Embora ela pareça usar uma máscara de borracha no rosto, tem uma atuação brilhante.

Albert Nobbs (Glenn Close) é uma mulher que se passa por um homem para poder sobreviver. Trabalha como um distinto garçom num hotel de luxo e exerce muito bem a função, sendo elogiado por todos. É calado, discreto e atencioso. Atende cada cliente do hotel com perfeição.

Albert, por uma incrível coincidência, conhece uma pessoa, que será seu amigo, que lhe abre os horizontes; a partir daí, começa a vislumbrar uma vida que sempre desejou: ter uma tabacaria própria, ter uma casa e uma esposa ao seu lado. Detalhe: o filme se passa na Irlanda do século XIX!
Essa capa não é legal?

Para isso, desde que começou a trabalhar, junta no assoalho do seu quarto um grande volume de dinheiro, uma pequena fortuna, em que todos os dias, confere e conta cada moeda, sempre visualizando seu sonho.

Também se apaixona por uma jovem que é camareira do hotel, Helen, com quem começa a sonhar como sua futura esposa. A corteja e começa a fazer planos com ela: desde o casamento até vê-la trabalhando em sua tabacaria. Sr. Nobbs passa a viver o seu sonho enquanto está acordado: tem um olhar distante e uma expressão de alegria no rosto. Parece que agora sim, vive.

Nobbs é ingênuo - Helen o faz de bobo, mas mesmo assim continua a  cortejá-la e lhe propõe uma vida que não se pode dispensar... Ingênuo até no beijo! rs!

O medo de Nobbs passa para quem assiste o filme: o medo de ser descoberto, se desconfiarem dele. Sua identidade é Nobbs, não é mais a de uma mulher. Numa passagem, alguém pergunta qual o seu nome "de verdade", ele diz: Albert. Não existe mais nenhuma ponta da mulher que ora fora um dia, Albert é Albert. A mulher que existiu um dia foi morta, ainda mais pela dor que viveu enquanto era mulher. Viver como mulher naquele período era muito difícil mesmo, quantas será que tinham essa coragem?

A atuação de Glenn Close é ótima, é uma atuação silenciosa e formal, comportamento exigido pela época e pelo homem elegante e educado que Albert era. As expressões e os olhares dizem tudo. O olhar de desapontamento, de paixão, de surpresa...

O final é bem interessante. 

Como podemos qualificar a vida de Albert? Diria que ele foi feliz porque sonhou.

Nota: 7,8.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Millenium - Os homens que não amavam as mulheres (The girl with the dragon tatoo)

Capa feinha... E a tradução, pra variar, péssima!
Acabei de descobrir que eu assisti à versão original que é sueca e não à americana que parece que foi lançada agora há pouco.

Resumidamente conta a história investigativa de um desaparecimento que aconteceu há 40 anos atrás, lá pela década de 60, e que ficou sem solução.

O filme dura quase 2h e meia e achei vários momentos dispensáveis, acrescentaram muito pouco ou quase nada pro enredo principal do filme... Por exemplo, as cenas em que Mikael é processado ou quando Lisbeth é humilhada pelo "tutor", ou o caso de namoradinhos entre Lisbeth e Mikael (que eu achei nada a ver), poderiam ter sido encurtadas, enfim.

Para quem gosta de histórias de mistérios, suspense e "charadas" vai gostar. A investigação é um trabalho minucioso, detalhista e o mais difícil, de revirar o passado. Mikael tem que remontar a história da família da moça que sumiu e tudo que existia por trás do véu de cada integrante. 

Mas vamos do começo. O patriarca da família contrata Mikael, um jornalista que acabou de perder um processo judicial, para fazer essa investigação. O coroa, tio da menina, tem um volume bem grande de coisas sobre a jovem guardado (eu achava, no início do filme, que pela quantidade de coisas, dava pra ele solucionar o caso, mas não dava não... Pô, o coroa tinha 80 anos... Ah, sei lá, viver 40 anos nessa angústia é demais). Na ocasião, a menina, Harriet, tinha 16 anos e desapareceu misteriosamente da ilha que pertence à família deles, ou seja, é uma propriedade privada. Lá faz muito frio e fica na Suécia.

O coroa acredita piamente que Harriet foi assassinada por alguém da própria família.

Mikael pede ajuda à uma hacker punk, Lisbeth, para a resolver o caso junto com ele (que por sinal tem uma história marcada por tragédias geradas por homens), e ela, além de seus conhecimentos tecnológicos, é decisiva. É uma mulher calada, estranha e fria. Ah, e violenta.

O desenrolar do mistério é interessante, dá pra acompanhar. Ficou confuso pra mim os muitos nomes e personagens na trama. E gostei do cenário gélido.

Considerei um furo quando Mikael contava tudo o que descobria para os integrantes da família que estava investigando, afinal, todos eram suspeitos, oras!

A descoberta do assassino não foi lá uma grande surpresa, mas depois, na continuação para o final, foi.

Achei exagerado Lisbeth resolver o caso de Mikael, aquele processo que ele havia perdido. Precisava matar o cara que ganhou a causa, mesmo ele sendo o culpado??

Ahhh, tem cenas fortes hein...

Nota: 6,5.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

A Casa dos Sonhos (Dream House)

Com atores famosos e uma sinopse que me deixou curiosa, assisti e me arrependi.

Conta a história de uma família que se muda para uma nova casa e, com o tempo, descobrem que nela aconteceu um assassinato há uns anos atrás, supostamente o marido matou a esposa e as duas filhas num acesso de loucura e depois foi solto por não haver provas suficientes.

O atual morador fica instigado com a história e quando coisas estranhas começam a acontecer ele decide investigar o caso que marcou aquela casa... e aí descobrindo coisas que o envolvem diretamente com a tragédia...

Tudo parecia levar a crer que teria um final surpreendente, mas da metade pro final o filme vai ficando cada vez uma "sessão da tarde" piorado. Vários furos e um final sem noção nenhuma.

Nota: 2.

Filha do Mal (The Devil Inside)

É, vi Filha do Mal...
Bom, como todo filme de terror, tem muitos clichês, pequenos sustos e uma história não muito original. 

Conta a história de uma jovem mulher (Fernanda Andrade), chamada Isabella, que tenta remontar a história de vida da mãe (Suzan Crowley), que há 20 anos atrás assassinou 3 pessoas: dois padres e uma freira, e decide montar um documentário. (Há um tempo que filmes de terror adotaram esse estilo, acho que desde de Bruxa de Blair... Tá meio batido já, mas enfim)

A mãe dela está internada num manicômio em Roma sob a "proteção" do Vaticano e ela não sabe porque a mãe foi parar lá... Há boatos de que a mãe estava possuída... Daí já começa a levantar a suspeita de que, pra ela estar internada em Roma e cercada de mistérios, o demônio que possuiu ela foi dos brabos... (Depois vamos descobrir que foram vários demônioS)

O documentário é Isabella indo visitar a mãe e os desdobramentos. Ela assiste a uma aula de exorcismo e conhece uns padres que sugerem à ela presenciar uma sessão de exorcismo. A cena é meio chocante e os efeitos são bem feitos, principalmente quando a mocinha retorce os braços...

A atriz que faz a mãe de Isabella atua muito bem.

Tem uma discussão sobre o Vaticano e a Santa Igreja que encobrem os casos de possessão demoníaca e nega ajuda àqueles que estão possuídos, e aí, tem uns padres que fazem o "jogo sujo" e exorcizam por debaixos dos panos.

Levanta um início de discussão de, em vez de possessão, as pessoas sofrerem de algum problema mental... Mas esse padres novatos tem uns aparatos científicos que, teoricamente, comprovariam a anormalidade que só as possessões geram, de resto, é tudo um repeteco. Ah, e o final é ruim. 
(Mil vezes Constantine, que aborda um tema bem parecido, mas com muita originalidade!)

Ahhhh, ia me esquecendo, e o lance de "connect cute" hein? Fazendo uma viagem, eu acho que "ligar os cortes" seja talvez passar os cortes dela (da mãe) para a filha, fechar o ciclo. Não sei...

Ainda bem que gastei R$ 3,50 pra ver esse filme.

Nota: 4.

http://www.filhadomal.com.br/

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Contra o tempo (Source Code)

Essa ficção conta a tentativa de se evitar um atentado terrorista a partir de um projeto militar chamado Código Fonte. Esse projeto consiste em enviar uma pessoa no corpo de outra que estava no evento, nos últimos 8 minutos antes do acidente. (Segundo a explicação dada no filme, quem volta ao passado não pode alterá-lo, é uma espécie de simulação do passado, não é possível interferir. Só que vamos ver no final que não é bem assim...)
Essa pessoa que vai é o capitão do exército Colter Stevens (Jake Gyllenhaal), mas a gente percebe que ele está confuso, não sabe onde está e desconhece o Código Fonte... 


A missão de Colter é descobrir o terrorista que explodiu o trem e que, suspeita-se, irá explodir um outro em proporções muito maiores, com muito mais mortes. Então ele é enviado aos últimos 8 minutos várias vezes na pele de um professor de história que estava no trem. Embora pareça repetitivo não é, a cada vez que volta tem um desfecho diferente.


O interessante é que ao final sabemos que existem vários tempos paralelos ao nosso, e em cada um deles, tem uma história própria.


A vida pessoal do capitão aos poucos é revelada, e levanta uma questão muito interessante: até que ponto a vida é útil (diria útil não só do ponto de vista de utilidade, mas também de dignidade)? Descobrimos que Colter, ao ser gravemente ferido (isso é na verdade, um eufemismo tá... rs) na guerra do Afeganistão é usado para este projeto, onde não pode ser destinado a qualquer um, deve ser para aqueles treinados em cenário de guerra.


Ainda que este projeto tenha um propósito nobre, de salvar vidas e impedir o terrorismo, ele não pode escravizar vidas em nome desse objetivo. Acontece que a escolha é dura: virar um herói ou morrer sem nenhum prestígio?


O final é surpreendente, só fiquei confusa em saber identificar as temporalidades e o que aconteceu em cada uma delas, mas é legal que elas se esbarram uma nas outras, ou seja, apesar de serem paralelas, elas se comunicam de alguma maneira...


Encontrei algumas falhas: Colter parece se apaixonar pela moça que aparece aos 8 minutos... Muito pouco para se apaixonar não? rs
E outra, ele encarna num corpo de outra pessoa, a aparência física é a da pessoa (o professor), mas a mente é a do capitão. Numa nas temporalidades ele sobrevive, e como ele continua a viver a vida de outra pessoa? Esperava pelo menos que fosse existir um conflito de mentes pelo menos, mas parece que o professor morreu, mas o corpo é habitado pelo capitão...?! Essa coisa de física e universos paralelos é complicado mesmo. rs!




Outra idéia interessante é a de que o sucesso do programa militar está fadado ao fracasso porque, se ele der certo, ou seja, se for possível impedir atentados, será como se nunca tivessem existido, e aí como o programa vai provar que funciona?


Nota: 8

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Ano Bissexto (Año Bisiesto)

Conta a história de Laura, uma jornalista, que definitivamente tem uma vida monótona e patética. Vou explicar. Ela mora só e às vezes faz trabalhos no próprio pc de casa e só. Nada mais. Laura é sozinha.

Observa a vida de seus vizinhos e ao telefone só conversa com sua mãe e com seu irmão. Que por sinal, são assuntos corriqueiros e desinteressantes. Nada demais.

Ela não reclama claramente de sua vida, mas nota-se uma sem-gracice aguda. Para quem assiste torna-se chato também, é um filme que quase nada acontece, não tem trilha sonora, é o próprio som ambiente, ouve-se silêncios e a monotonia é quase palpável. Por um lado é bacana porque a gente sente aquela vida, por outro, é cansativo.

Laura costuma sair à noite e transar com carinhas patéticos... Está habituada: homens sem-graça, os quais não quer saber o nome nem nada. É só sexo. Até que um desses a chama a atenção e ela se entrega. Aos poucos vão surgindo atos sadomasoquistas entre os dois... e eles começam a curtir muito. Até ela fazer um último pedido extremo, que ao mesmo tempo dá conta de sua vidinha medíocre e testa o afeto que ele sente por ela.


Será a dor e a lembrança da morte um catalisador para a vida?

Laura tem uma relação próxima com o pai falecido há 4 anos, que justamente morreu em 29 de fevereiro, e ela, será que sobreviverá?
A vida de Laura parece não ter muito sentido... Apenas quer ser mãe um dia, ela e o filho.

É um filme mexicano, que por sinal estão produzindo filmes bem legais. Esse filme passou no Festival do Rio de 2010.

Nota: 5.


Sugestão de leitura de uma crítica que gostei: http://www.jblog.com.br/leiacinema.php?itemid=23932

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Precisamos falar sobre Kevin (We need talk about Kevin)

É um filme muito perturbador. Dormi e acordei pensando nele... Mas antes que pensem que é um filme de terror ou de violência gratuita, digo que não é. É um filme muito bem feito, com atuações brilhantes e olhares aterradores.

Com poucos diálogos é um filme que mostra o sofrimento intenso da mãe, Eva (Tilda Swinton), de um psicopata ainda adolescente, Kevin. No início do filme você já pressente que não vai vir coisa boa, e quando acontece algo de ruim, a expectativa é de que algo muito pior esteja por vir. Foi assim que me senti durante todo o filme, fiquei tensa esperando o que de ruim fosse acontecer, e realmente, acontece.

O filme é contado de maneira bem interessante: é picotado com cenas do presente e do passado, que vão revelando o que aconteceu para culminar naquela vida massacrada que é o  presente de Eva. Outro ponto que achei original é o foco do filme ser na mãe de um psicopata e não nele. Todos os filmes do gênero mostram como protagonista o psicopata e suas crueldades, nesse não, mostra a figura que esteve presente desde o início: a mãe, e claro, todo o sofrimento e a dúvida que persiste.

Capa do livro
Eva é casada com Franklin e decidem ter um filho, Kevin, e desde pequeno Kevin e Eva têm uma relação de estranhamento, distância e confronto; ele ainda criança manipula os pais (e outras pessoas também se for necessário, como a médica quando ele quebra o braço) e sabe como extrair proveito das situações. A cada resposta dele, Eva parece ficar muito surpresa e assustada. O pai é muito carinhoso e nada suspeita do menino. Alguns anos depois eles têm uma menina, Celia.

Desde quando Kevin era bebê, se torna nítida a dificuldade que Eva tinha de ser mãe - mudar de vida, abrir mão de muitas coisas, ter que ser amável quando o bebê só chora, ter paciência quando a criança se recusa veementemente a falar "mamãe".

É muito interessante as cenas do filme marcadas pelo silêncio, pelo olhares cínicos e medrosos, pela cor vermelha que remete ao sangue e é profundamente doloroso assistir todo o sofrimento que Kevin vai gerando nas pessoas, principalmente em Eva e somente ela nota isso. O ato, que dura o filme todo, de tirar a tinta vermelha da casa parece indicar que o passado está presente, ali, escancarado, mas também um processo de limpeza, de tentar sobreviver quando já se perdeu tudo, só restou dor e medo.

No presente Eva é execrada e humilhada constantemente pelas pessoas que não esquecem (e não tem como esquecer) da tragédia que Kevin provocou na escola... Ela fica sendo a "mãe que criou o monstro". Viver sob esse estigma é muito difícil.


O terror do filme é outro, é uma rejeição e um afrontamento sutis, lento e muito cruel. Taí, crueldade é uma palavra que marca o filme, e é tão provocador que Eva não resiste e cede algumas vezes à ela e faz parte do jogo de Kevin.


É um filme que faz pensar de onde e como surge a psicopatia. Mas sinceramente, ainda é uma grande incógnita.

Ele rompe com a idéia da maternidade ser algo maravilhoso; e quando a criança se torna insuportável? O quê fazer?

Eva procura respostas, leva Kevin ao médico e é constatado que ele é uma criança normal. Como fica a cabeça de uma mãe que não tem absolutamente nenhuma explicação para justificar o filho problemático?

Não concordo com expressões como "a criança maldita" ou "filho do demônio" ou "a encarnação do mal", coisas do tipo... Minha hipótese é que a crueldade e o belo coexistem no ser humano, é claro, que não tô discutindo aqui condições de maus-tratos e miséria social, mas a essência humana.
Não acho frutífero também pender o debate para a religiosidade, como possessões e afins. 

O título é emblemático, em nenhum momento é conversado abertamente sobre e com Kevin. Eva simplesmente convive e se "acostumou" com Kevin e com o sofrimento.


Eu diria que o auge do filme não é somente quando nos é revelado a tal tragédia que Kevin provoca, que é extremamente terrível, mas sim no finalzinho mesmo, quando ela pergunta o porquê de tudo aquilo. Para mim foi a parte mais tensa e cruel... Procurando críticas sobre esse filme, li alguns comentários interessantes que mostram algumas partes do livro (é, tem um livro que deve ser MT melhor/pior) e tem uma frase que, para mim, explica toda essa relação com a mãe. Ele diz: "Quando a gente prepara um show, não atira na platéia". 

Pra mim é isso, é esse o sentimento que Kevin tem por Eva e tudo que ele faz é para ferí-la. Sem motivo, só por ferir, como ele diz, que o propósito é não ter propósito. 

É um filme muito duro, terrível de se assistir, mas interessantíssimo!

Nota: 10.





Gostaria de pedir atenção aos spoilers, quem achar que é preciso revelar a trama para a discussão, avise por favor que contém SPOILERS! Ok?