sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Cosmópolis



Hoje estou de “penetra” no Blog da minha grande amiga cinéfila... Se bem que não estou propriamente como penetra, porque houve um convite, mas um “auto-convite”, o que me permite considerar-me como penetra... e tentarei ser comportada... (risos) muito embora minha “verve escrita” me faça ser uma penetra meio “falante”... porque... sabe aquela regra de não escrever textos longos para não espantar leitores? Pois é... eu não sigo!


Mas vamos lá para quem tiver fôlego de ler. Cosmópolis, lançado em 2012, é o filme que venho me aventurar a fazer o que chamarei de “análise pessoal”. Até porque, ver filmes é isso: o roteiro em cena fica um tanto inacabado sem a percepção do espectador – não faz muito sentido contar uma história quando quem ouve (ou vê) não se implica a fazer sua “leitura pessoal”. E “analisar filmes” é isso: a descrição de uma leitura pessoal, com total liberdade, é lógico, de ser aceita ou rejeitada. E faz parte da boa brincadeira esse jogo de “acordos”. Pode até ser bem interessante discordar... E vamos à brincadeira:

Cosmópolis foi dirigido pelo canadense David Cronenberg e também é de sua assinatura o roteiro. O filme, em verdade, é baseado no livro homônimo do norte-americano Don DeLillo – escritor que adora dar uma de cronista da “atualidade atualíssima”, e o tema “tecnologização da vida”, e seus preços para a existência humana, é uma constante em seus textos. Cosmópolis, o livro, foi escrito em 2003, portanto, antes da grande crise estourada em 2008. Noutras palavras, é socialmente atento o escritor...



Para começar, Cosmópolis é estrelado pelo ator Robert Pattinson, o “eterno e queridinho” vampiro da saga Crepúsculo.  Para os amantes de Crepúsculo e enviuvados com o final da saga, saibam que Robert Pattinson possui vida fora de Crepúsculo, e foi muito bem neste filme que, embora não haja vampiros apaixonados, há o vampiro sociopata da nossa realidade cruel: o capital que a todos suga – vampiro esse uma vez mais na pele alva de Pattinson. Para os não chegados a “vampiros fofos” e até os que nutrem profundas ojerizas à série Crepúsculo, larguem suas resistências e dêem uma chance ao rapaz, ele realmente atua bem no filme; além do mais, tem gente de peso no elenco: Juliette Binoche, Paul Giamatti, Mathieu Amalric, Samantha Morton entre outros bons no assunto “telona”, que garantem os motivos para esquecer Crepúsculo e ver Cosmópolis... O filme de Cronenberg não chega a ser primoroso como “obra de arte”, nem é para ser. É um filme duro, meio indigesto, porque descreve – A MEU VER! – a personificação do capitalismo em pele e osso no personagem principal, o ricaço Eric Packer (Robert Pattinson) – ou o contrário, que dá no mesmo. Ou seja, imagina uma pessoa encarnada como capitalismo – e vice-versa? É a história do personagem principal neste filme!




No filme tem de tudo um pouco do que traceja nossa atual fase histórica por alguns historiadores e sociólogos chamada de “Hipermodernidade”: há aquela avalanche de riqueza sem fim nem limites nas mãos de meia-dúzia de gente (representada sob o insistente cenário feito no interior de uma limousine branca – o filme se passa, creio eu, em 90% de cenas dentro de uma limousine high tech!); há uma crise tremenda explodindo lá fora para a indiferença absoluta dos ricaços; e há também cenas de sexo, nudez explícita, assassinatos, violência e, lógico, tiros e sangue... mas o que chama mais a atenção são as constantes mensagens de atitudes imorais e amorais do personagem principal – afinal, o capitalismo é imoral e amoral ao mesmo tempo. Durante o filme – por sugestão minha, mas nada além de sugestão – tente visualizar o “capitalismo em forma de gente” e daí... se entende a ação do capitalismo – ou nem se entende, e se estarrece, porque a lógica do capitalismo é mesmo indecifrável! Ou seja... filme bem legal... mas que exige alguma atenção às nuances do personagem para ver nele o capitalismo encarnado. Há até umas cenas com frases marxistas e outras bem na linha da filosofia da Escola de Frankfurt (com destaque a dois de seus filósofos, Herbert Marcuse e Walter Benjamin). Não se preocupe, caso você não goste de Filosofia ou teorias sobre sociedade, economia e coisa e tal... tudo isso aparece no filme de modo muito sutil, velado, pedindo do espectador apenas alguma percepção ao que acontece em nossa realidade imediata, que é bem o estilo do DeLillo, ao usar a tática da mensagem dita sem dizer o autor delas – e a mensagem fica posta e sua essência transmitida; e nos deixa um desassossego incômodo... Em suma, livro e filme são sobre o capitalismo e sua existência no tudo que não passa de vazios constantes e sem escrúpulos, através de descrições da pobreza existencial do personagem principal, em sua vida repleta de nadas graças aos excessos que ele tem. Para quem quiser classificar o filme como “filme psicológico” fique à vontade... eu não sei se eu iria a tanto, mas cabe esta referência. Para mim, trata-se de um drama... um “drama social” numa roupagem de “drama pessoal”. Enfim... cada um que faça sua “análise pessoal” que está tudo certo: ninguém estará errado.




Vamos falar, então, do personagem principal. O garoto ricaço Eric – repiso: a meu ver! – é a personificação ipsis litteris do capitalismo: tem muito dinheiro (muito mesmo! Inimaginável até!) e faz de tudo sem limites e quase sempre sem sentido nem regras “lógicas” – aliás, cheio de lógica, a “lógica capitalista”: um tanto quanto incompreensível em termos racionais mais dignos. O garoto é ao mesmo tempo imoral e amoral justamente porque atende a esta única lógica capitalista: “servir a si mesmo”, servindo ao seu vazio, o que só aumenta a vacuidade de sua vida e seus (não)sentidos. Para mim, e por isso, o autor do livro homônimo, DeLillo, conseguiu esta brilhantemente façanha: tirar a personalidade do capitalismo e reencarná-la num “ser vivo”, ainda que ficcional, como é este Eric. Quero dizer... ficcional para nós, reles mortais que, ainda bem, não habitamos o mundo dos negócios. Sinceramente, eu não me surpreenderia se houver Erics, tais quais do filme, no 1% da população mundial que é a de magnatas das corporações existentes no planeta. Enfim..... o livro e seu filme nos aproxima desta realidade... surreal? Não... bem real mesmo! Que é a pulsação arritmada do capital voraz sem remorso – inventado, espraiado e magnificado por gente como o Eric.



Há cenas que merecem ser citadas... decerto sob minha “análise pessoal”... Puxo os holofotes para as seguintes:



(1) No filme, a atriz Samantha Morton traz uma ótima fala sobre o dinheiro: ela está na limousine (bem... como já descrevi, boa parte do filme é na limousine, então esta referência de cenário não pontua muita coisa!) e com o tal ricaço Eric (mas que garoto pedante e incrivelmente inseguro ele é, gente!); ela, parece-me, é algum tipo de marchand (não sei ao certo, pois ela aparece em cena apenas neste momento). A moçoila, então, descreve algumas verdades:


Agora toda riqueza é riqueza para o seu próprio bem.” – Isso é bem marxista. Karl Marx falou algo bastante próximo a isso quando descreveu alguns conceitos para o capital, e numa leitura concisa podemos traduzir a partir de Marx: “capital é o dinheiro que não produz nada além de dinheiro”. Enfim, a personagem não coloca nenhuma novidade aos que conhecem Marx, mas para quem não conhece, traz Marx em uma versão, digamos, “hipermoderna”, ou seja, mais nua e crua ainda... E aí... olha a telona citando Marx para a galera! Adorei!!!

Em seguida ela diz: “Como a pintura, o dinheiro também perdeu sua qualidade narrativa. O dinheiro está falando por si mesmo.” Esta constatação de que a Arte (pintura) perdeu “sua autenticidade” é típica da Escola de Frankfurt: pela breve citação no filme, e tomando-se emprestadas algumas inspirações de Walter Benjamin, aqui podemos apontar para a qualidade narrativa que o tempo resguardava à eloqüência da obra original, e que foi perdida graças à produção e reprodução sem fim de cópias que jamais falam através do “brilho”, da “aura” da obra original – tudo isso em nome dos lucros dados pela obra ora copiada e multiplicada. Tal cópia que não é mais Arte, não narra nem comunica nada, apenas decora e cumpre a oração capitalista de reproduzir-se exaustivamente esposada aos lucros, nada além. No entanto, pessoalmente, me perguntei qual teria sido a qualidade narrativa (perdida) do dinheiro, mas que ele hoje “simplesmente é”, eu não tenho dúvidas! Aliás, no fluxo desta minha interpretação bastante pessoal, penso que talvez a qualidade narrativa do dinheiro tenha sido a de contar fábulas: aquelas da “utopia modernista clássica”, do século XVIII para o XIX, que prometia A TODOS o mundo encantado, a conquista suprema e o eterno delírio dos sentidos após a fortuna acumulada. E como toda fábula... nada mais é do que uma “bela” história sem o menor compromisso com a realidade........ como o futuro – hoje presente – bem demonstrou: a fortuna definitivamente não é para todos. Na mesma cena – aliás, um plano de cena que dura poucos minutos, e é bastante reflexivo e crítico para quem gosta de saber um pouco mais sobre capitalismo e as estripulias do capital – em segundos depois a personagem de Samantha Morton diz: “Dinheiro faz o tempo”... Ora... note-se bem, ela não disse “tempo é dinheiro”, ela disse pior! E este pior é que é o centro da coisa toda! O dinheiro faz nosso tempo atual ser como é! Louco, desvairado, adoecedor e... que implica no surgimento aos magotes de existências pobres, paupérrimas de sentido – vale lembrar que tem muita gente morrendo fora da telona por causa deste tipo de vida, onde “tudo é para ontem” e não entende por que isso mata aos poucos e diariamente. Nesta cena, a personagem vai além dizendo: “O relógio acelerou o crescimento do capitalismo.”.... e seguem os dois, Samantha Morton e Robert Pattinson, discutindo sobre tempo e capitalismo!  Em minutos, é uma aula de sociologia sem uso de livros, textos longos ou autores difíceis. Muito boa a cena! A-D-O-R-E-I!!!!!!



(2) A cena em que o Eric bate um papo com seu guarda-costas (Kevin Durand) diante de uma quadra de basquete, é a descrição fidedigna da ação do capitalismo: quem mais serve ao capitalismo diligentemente confiando nele, é o que mais fulminantemente sucumbe pelas mãos do capitalismo. Cena forte e... inusitada!!! Ela fez-me lembrar daquela estorinha sobre o escorpião e o sapo (acho que é um sapo): o sapo ajuda o escorpião a atravessar um rio, e quando chegam seguros na outra margem do rio, o escorpião dá uma picada letal na cabeça do sapo; o sapo em seus últimos segundos de vida pergunta ao escorpião: “Por que você fez isso? Eu te ajudei!”, o escorpião responde: “Não sei por que eu fiz; só sei que minha natureza irresistível é essa.” Enfim.... natureza de escorpião traduzida em natureza de capitalismo, envolvendo o mais dedicado guarda-costas. Coitado... Bem, vá conseguir entender uma cena desta no filme! “Basta” conseguir entender o capitalismo! Coisa absurdamente difícil, convenhamos....



(3) A cena em que o Eric finalmente chega ao bendito barbeiro (George Touliatos) para cortar o cabelo, e passa mais da metade do filme para chegar lá – coisa que achamos por este tempo todo (em mais de 1h de filme, gente!) que faz parte dos caprichos quase obsessivos do Eric – explicou muita coisa! O barbeiro é a ligação familiar do Eric (sim, os magnatas não nascem de chocadeiras!) porque o barbeiro conheceu o pai do Eric como gente, se refere ao pai dele como gente, assim como o barbeiro conhece o Eric como gente. Aliás, o personagem do barbeiro parece ser a única alma com salvação no filme! Talvez seja, a cena com o barbeiro, a representação do encontro da humanidade que existe no capitalismo. Porque... ora.... capitalismo é criação humana, né? Não que o capitalismo seja “humanizado”, mas os humanos que manipulam o capitalismo... são humanos – leia-se: têm fragilidades (das grandes, devemos admitir!). Não à toa o Eric passa por inúmeros contratempos e esquisitices para chegar a este barbeiro... Bem, dando uma de “psicóloga de botequim”, penso: seria a tal “busca de si mesmo”? Talvez sim. Talvez seja a isso que DeLillo faça referência: a busca do si mesmo que está lá, nalgum lugar, mesmo que numa velha barbearia.  No barbeiro dá um pouco para “entender” o que o Eric queria quando descartou o guarda-costas: ficar sem proteção... se livrar das amarras de ter tanto mas ser escravo do tudo, e ver-se obrigado a ser vigiado e protegido 25 horas por dia, 8 dias por semana:  a liberdade não é companheira de quem tem tudo, este é o preço. Sei lá.... o capitalismo hoje quer ser menos “amarrado” e, assim, ficando mais exposto? E daí... armando sua própria ruptura? Afinal, a falsa liberdade diante de ter tudo é traduzida pelo ficar eternamente sob a “Espada de Dâmocles” (para saber o que é, leia em:  http://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%A2mocles). Há prisão maior? Há maior contradição que a não-liberdade capitalista impõe aos seus mais ilustres eleitos ricaços? E isso francamente cansa. Melhor morrer de uma vez! Então... talvez sim, Eric estivesse, no barbeiro, dando seus primeiros sinais de ruptura de si mesmo. Acho que foi isso o que DeLillo quis dizer... até porque... o barbeiro (seria ele a “consciência” de Eric?) joga na cara do Eric que ele está querendo esta exposição, esta não-segurança... esse risco de morrer (coisa que o Eric já demonstrara noutra cena “caliente” com a mulher daquele fiel porém literalmente traído guarda-costas). Noutros termos, as cenas no barbeiro são as mais, digamos, “sensíveis” do filme. Mas pára por aí.



(4) A última cena do filme, uma conversa entre Eric e o personagem do ator Paul Giamatti, penso ser ótima! Das melhores a meu ver. Este personagem é um cara que diz “Você acha que pessoas como nós não existimos? (...) Nós existimos!” e que, portanto, para mim, este personagem, Benno, representa as pessoas sobre as quais o capitalismo cospe e passa por cima. Há outras frases ótimas nesta tomada de cenas. Benno diz para o Eric: “Toda sua vida é uma contradição. Por isso você está arquitetando sua própria queda.” E não é isso o que os movimentos de resistência anti-capitalista, fartos e tomados de ódio amargo (com toda razão!) dizem ao capitalismo? Enfim......... antever a ruptura certa do capitalismo não é conhecimento privilegiado dos pensadores sociais críticos. Eles pressentem, traduzem isso, e burilam uma análise mais a fundo daquilo que, todavia, tantos massacrados já bem sabem, porque sentem no corpo há tempos o peso de um velho gordo barbudo, ganancioso mas já canceroso, chamado capitalismo. Uma cena bem na linha da filosofia frankfurtiana, mormente quando Herbert Marcuse já vaticinava as convulsões que o capitalismo expiaria, agudizando marchas a crises inelutáveis – vale lembrar que Marcuse, em 1967, anunciou em público tal coisa e em Maio de 1968 uma enorme crise gritou e sangrou por inúmeras avenidas européias. O interessante também é que o senso suicida do mimado Eric fica mais “óbvio” no encontro com o personagem de Paul Giamatti. Na minha análise – ok, uma “elucubração” pessoal, confesso – trata-se de uma boa discussão quase existencial entre os resistentes, ou revoltados, ou massacrados, e o sistema capitalista; em suma, entre Benno e Eric. Durante tal discussão, Eric – o sistema em essência – quer se dar um tiro na boca, mas ele acaba atirando na própria mão (incrível que Benno – as massas cansadas em essência – ainda ajuda Eric a estancar o sangue na mão!). Belíssima e sutil analogia acerca de que até os que não vão com a cara do capitalismo fazem alguma coisa, mesmo sem saber, que mantém o sistema sobrevivendo. O sistema capitalista padece porque o próprio sistema se sabota – inevitável devido à sua natureza de escorpião capaz de picar até a si mesmo. E no filme, este é um motivo a mais para que os revoltosos queiram matar o capitalismo. E eis o clímax: segundo a ótica do filme, querem matar o sistema nem tanto por ele ser tão amoral e imoral... mas porque... esperavam que o sistema não fosse tão frágil e os salvassem! Os curassem! O que, logicamente, nem de longe o capitalismo o faz. E o que acontece no filme?.... Vejam lá....... Limito-me a dizer que o roteirista joga a bomba. Que, na verdade, traduz nossa incógnita atual bem real fora dos cinemas: o capitalismo morrerá por si mesmo? Ou pelas mãos dos amotinados frente esta crise que se agiganta e nos impõe decisões de atirar (ou não)? Que rufem os tambores....



Para finalizar, é do meu feitio prestar muita atenção a uma trilha sonora de filme. Amo música, e filmes têm a magia de usar e abusar da música para nosso enlevo ou tensões... o que, sem percebermos, nos amarra aos filmes. Tenho duas colocações a fazer sobre a trilha sonora de Cosmópolis:



(1) Ela é assinada pelo compositor canadense Howard Shore e pelo indie rock – vulgo “rock independente” – da banda, também canadense, METRIC. É bem legal... mas, me perdoem... os fundos de guitarra lembram muito o estilo da banda U2, só falta entrar a voz do Bono Vox. Para quem quiser ouvir, eis a música “White Limos” (“Limousine Branca”) em: http://www.youtube.com/watch?v=-B8SzX7bSZk


 



(2) Tem uma música bem legal do rapper e poeta somali-canadense K’naan – cantando “Mecca”. A cena em que aparece a música é inconfundível: durante o funeral de um jovem rapper, amigo do Eric. A curiosidade é que quem faz o defunto é o próprio rapper que canta a música: K’naan! Ele até se saiu bem na foto... Para quem quiser ouvir esta ótima música, um Hip Hop de altíssima qualidade que funde elementos somalis, ouça lá:




Enfim.......... bom filme!!!!!!! Eu achei!!!! Muito bom!!!! NOTA 10!

Não sei se concordarão... caso não concordem, está tudo certo... porque ninguém estará errado.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Lista de filmes 12




  • ParaNorman - é uma animação que conta a história de Norman que é um menino que enxerga e fala com os mortos. Descobre que tem uma missão a cumprir: evitar que uma maldição caia sobre a cidade onde mora e os mortos se levantem. Fala sobre aceitar as diferenças. Achei o filme muito bobinho, talvez seja mais interessante para as crianças. Nota: 3.


  • Frankenweenie - é uma animação produzida por Tim Burton. É em preto e branco e tem aqueles traços característicos do diretor que remete a algo sombrio e meio bizarro. Victor é um menino que tem como melhor amigo o seu cão - Sparky - que num dado momento morre (isso não é spoiler). Victor utiliza do conteúdo das aulas de ciências para ressuscitar seu cachorro, mas é descoberto pelos seus colegas da escola, que também utilizam as mesmas técnicas para ressuscitarem seus animais que haviam morrido, aí dá uma confusão danada porque o "ingrediente" principal faltou: o amor pelo animal. Não gostei do final. Nota: 5.


  • Tropicália - é um documentário que analisa os impactos do movimento cultural Tropicália no Brasil. Para quem gosta de música brasileira e de história. Têm relatos de músicos, pessoas envolvidas com o movimento, cenas inéditas e muita música. Nota: 8.


  • Histórias que só existem quando lembradas - foi um filme enigmático pra mim, inclusive gostaria de conhecer outras  impressões. Me foi muito bem recomendado, mas não gostei do filme. É um filme lento e com poucos diálogos. Mostra a rotina de Madalena numa cidadezinha do interior habitada só por idosos. O lugar parou no tempo e a rotina é sempre igual. Quando chega Rita, uma jovem que está de passagem, a vida de Madalena parece se alterar: ela abre as janelas de casa e começa a pensar na morte. Nota: 4.

Rebelle - a feiticeira da guerra


 Rebelle é um filme sensacional! 

Começa pela narração de uma menina sobre sua vida ao seu filho, que ainda está na barriga. Komona, a protagonista, é raptada por um grupo rebelde para integrar a milícia que vive na floresta e combate o governo. Não se sabem as razões reivindicadas pelo grupo, só sabemos que vivem em guerra. Komona é forçada a matar seus pais e a viver como uma rebelde. Ela tem 12 anos. Vários outros jovens são capturados como ela e são treinados para matar.



Komona, assim como todos os demais guerrilheiros, usam drogas alucinógenas e revela um dom: consegue ver os mortos. Ela então é considerada uma feiticeira, que é levado muito à serio, e tem um certo prestígio por causa disso.


Mágico é um dos meninos que integra a milícia rebelde e revela estar apaixonado por Komona, pedindo-a em casamento, e eis que ela faz uma exigência aludindo ao que seu pai sempre lhe falava: namorar uma menina não é fácil, para isso é preciso que o pretendente lhe dê um galo branco. Um galo branco é quase um mito na região em que vivem, a maioria diz que não existe.

Essa história inocente de amor é o único alento dos dois jovens, que desconhecem qualquer outra forma de convivência que não sejam os trabalhos forçados da guerrilha e os combates contra os soldados do exército. A morte é tida como um acontecimento corriqueiro, simplesmente fazem o que mandam. Não questionam o porquê de terem sido retirados de suas terras e de suas famílias, o porquê de matarem, qual a razão de tudo aquilo. Vivem como acham que têm que viver.

Por um tempo, o casal foge do grupo terrorista, mas a feiticeira é levada de volta ao grupo à força. Daí pra frente tem uma reviravolta...


É um filme triste, que me fez pensar bastante. Primeiro, essa é uma realidade que infelizmente existe, a de recrutar jovens-soldados para a guerra, não só no continente africano, mas em bairros cariocas, por exemplo. Quem assistiu o documentário brasileiro "Falcão - os meninos do tráfico" sabe disso.
Outro aspecto que me fez pensar foi no sofrimento infligido aos jovens é ao mesmo tempo tão intenso, mas também tão aceito pelos personagens que dói com mais força. Não se faz nada, a única "reação" é aceitar placidamente os acontecimentos. 
Outra coisa que torna o filme mais interessante é o amor entre os dois jovens. O Mágico é petulante e corajoso, mas como é de se esperar, tem um final trágico e Komona é uma menina destemida. No fim fiquei pensando com o coração apertado: o que será dessa juventude?

Destaque para a trilha sonora que privilegia os cânticos locais. A fotografia é sensacional! A interpretação dos dois jovens principais é incrível!

Nota: 10

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Tomboy


Filme sensível que aborda o tema da homossexualidade com delicadeza e com muita beleza.

Laure é uma menina que se veste e se comporta como um menino, tanto é que fica uma dubiedade logo no início do filme, se se trata de uma menina ou menino. Laure e sua família se mudam para um novo apartamento e com isso Laure faz novas amizades...e se apresenta como Mikael.

Jeanne e Laure/Mikael

Lisa e Mikael


O filme se desenrola nesse dilema: Mikael está se tornando popular entre os meninos - e com Lisa, uma menina que se apaixona por ele -  mas cada vez que passa, a verdade fica mais perto de ser revelada...

O filme é sensível o tempo todo: mostra as brincadeiras das crianças, as preocupações de Mikael/Laure, como a risada é fácil quando ele está como menino e entre as demais crianças, como a relação dele com a irmã, Jeanne, é de carinho, cuidado, amizade e proteção. Os pais de Mikael são amáveis e não a proíbem de se vestir com roupas masculinas e de ter o cabelo curto.


As coisas vão se complicando quando, depois de uma briga, Mikael é descoberto como menina, e a mãe faz questão de mostrar que é uma menina... É humilhante para a criança... Mas fico pensando no lugar dos pais: como lidar com uma filha, que ainda é criança, e sua identidade sexual?

Típicos de filmes que abordam essa temática, em Tomboy, em nenhum momento há uma conotação à algo sexual, toda a história acontece num mundo infantil, inocente. Mikael parece não se preocupar excessivamente com o corpo que tem, mas pensa de quê forma pode interagir com os colegas sem que se sinta constrangido.


Destaque para as interpretações das atrizes-mirins que fazem Laure/Mikael e a irmã caçula, Jeanne. Excelentes e muito autênticas! 

Fiquei pensando sobre o título e descobri que "tomboy" é uma palavra que designa uma menina com comportamento masculino, mas pensei em outra coisa. O filme é francês e o verbo "tomber" significa "cair", seria algo como "o menino cai?" E tem uma cena no filme que a Jeanne é empurrada por um dos meninos que disse que achava ela chata, e Mikael começa a brigar com o menino que fez isso... e todo rolo começa... Ou seja, o verbo estaria diretamente ligado à essa cena que mostra um comportamento habitualmente masculino. Viagens à parte, eu recomendo! rs!

Por fim, é um filme sensível para sensíveis!

Nota: 10.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Edifício Master



O filme se passa no Edifício Master que é um prédio antigo em Copacabana. A equipe de filmagem passou 7 dias no edifício entrevistando alguns dos seus muitos moradores. 

As histórias pessoais que são contadas são muito interessantes; tem de tudo, de pessoas famosas a anônimos, de tragédias a alegrias. São narradas histórias íntimas de pessoas comuns que abrem a sua porta para a equipe.

Tem casal que deixa claro suas brigas, seus amores e suas paixões; têm jovens que moram lá para estudar; outros jovens que vieram ao Rio para tentar a sorte na música; tem uma jovem que se prostitui; tem um ex-treinador de futebol, ex-ator; pessoas que tiveram uma vida de fama e sucesso; pessoas que tiveram um vida muito sofrida; uma mulher que não olha nos olhos, uma outra que teve um filho muito jovem, uma outra que tentou pular da janela; o porteiro que teve um história de abandono e de cuidado; um idoso que cantou com Sinatra. Enfim, histórias de vida.


Muitas são as reclamações de como Copacabana é um bairro com muita gente, muito movimento e barulho; outras pessoas destacam essas mesmas características como algo positivo que torna o bairro diverso e rico.

O que me chamou a atenção no documentário é o quanto somos diversos. E dependendo do espaço, um prédio por exemplo, existe a capacidade de conjugar num mesmo local tantas pessoas diferentes, com histórias diferentes. 

Me emocionou também os relatos corajosos, como o da moça que se prostitui e falou sobre isso abertamente. Que palavras sábias! Imagino como deve ter sido sua vida para que ela acumulasse tanto esclarecimento sobre a vida e sobre si. 

Nota: 8.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Enquanto você dorme (Mientras Duermes)


Embora não tenha cenas fortes (quer dizer, tem uma sim...), aquelas típicas de filmes de terror, esse é um filme que assusta, e bastante. Gostei muito das atuações e, apesar do tema ser difícil, achei que foi um filme bem feito.


César
A história se passa num condomínio e de como o porteiro / zelador chamado César tem o domínio das informações dos moradores e como ele pode manipulá-las a seu favor. Ele é obcecado por Clara, uma moradora jovem e alegre, que será sua vítima. César sabe seus horários, sabe quem escreve para ela, conhece seu humor e os acontecimentos que a afetam, ah, e tem as chaves de todos os apartamentos...

Clara
César inicia o filme dizendo que não é feliz, nunca foi feliz. Diz que todos os dias se empenha para buscar alguma razão para continuar vivendo e todos os dias olha do telhado do prédio para a rua, como quem quisesse se jogar. Sua confidente é sua mãe que está acamada num hospital e não fala, ou parece não querer falar, e se esforça em olhar para ele e ouve tudo... Para ela, ele diz que se esforçará em "tirar o sorriso" de Clara... Medo.


Ele escreve cartas, envia e-mails e torpedos e dorme com Clara todos os dias sem que ela sequer desconfie.

César tem tudo arquitetado para, ao mesmo tempo em que quer afetar Clara, manter-se perto dela e se passar por alguém amigo e bondoso, acima de qualquer suspeita, e assim acontece. Até que as coisas começam a acontecer... e quando ele parece ser o principal suspeito, escapa incólume de qualquer olhar incriminador.

Acontecem muitas reviravoltas; a vizinha, que é uma adolescente, é uma ameaça para César, mas depois ela é facilmente reprimida; o namorado de Clara suspeita e tem um final trágico e Clara nada percebe. Dá muita angústia.

a vizinha que tudo sabe

O final é muito surpreendente! Posso dizer que ele consegue ser muito cruel, e de fato, consegue tirar qualquer sorriso de Clara, ele destrói a vida dela.

Um momento do filme que me chamou a atenção é quando César se despede da Sra. Verónica e é agressivamente sincero com ela sem ao menos perceber que aquilo a machucaria imensamente, e o faz com sorriso de soslaio. 

Não quero revelar mais nada do filme, apenas indico que assistam caso tenham nervos de aço.
É um filme que mostra o quanto somos vulneráveis para certos tipos de pessoas e o quanto nossas informações facilmente "vazam" e que em mãos maldosas podem causar desastres. Num mundo que impera a "publicização da vida" onde as informações circulam facilmente, onde somos filmados o tempo todo, onde postamos fotos e vídeos pessoais, onde tudo é registrado e arquivado, podemos nos tornar vítimas daqueles que queiram manipular tais informações.
Acho que o filme revela um pouco de um antigo desejo que às vezes sentimos de invadir a vida do outro, desrespeitando até certos limites como a privacidade e a intimidade alheia. Vide outros filmes que abordam esse mesmo tema (a de um observador intruso) como o Janela Indiscreta de Alfred Hitchcock.

Nota: 8,8.

Moonrise Kingdom

Esse filme é uma graça. A narrativa do diretor (que foi o mesmo do "O Fantástico Sr. Raposo" que é uma animação super legal), a edição, os jogos de câmera e os cenários bucólicos são muito interessantes e inusitados, conjugados com uma trilha sonora muito original torna o filme muito divertido de assistir.



Conta a história de um jovem casal (ambos devem ter uns 12 anos) que decide fugir juntos. Ela, Suzy, uma menina que adora ouvir música, olhar pelo binóculo e ler literatura, tem uma família onde os pais não vivem muito bem entre si. O pai parece ser alcoólatra, a mãe tem um amante e ela tem três irmãos pequenos (um deles a chama de traíra num dos momentos do filme). O menino, Sam, é quem toma a iniciativa de fugir com Suzy. Vive com uma família adotiva que no primeiro percalço desiste de sua guarda, é um escoteiro bem aplicado e já tem tudo planejado para a fuga.

Da esquerda para direita: o pai de Suzy, a mulher do Serviço Social, Capitão Sharp, o  escoteiro-chefe Ward e a mãe de Suzy
Os dois se conhecem numa peça de teatro e desde então trocam cartas. Além dessa atração imediata, os dois parecem se identificar um com o outro talvez por se sentirem estranhos e até rejeitados pelos demais. Sam não é nenhum pouco popular entre os escoteiros, tem até um inimigo! E claro, também porque começa a nascer entre eles um amor inocente e puro.


De maneira divertida vemos o quanto eles são perseguidos pela decisão de fugirem juntos em nome do amor (e talvez para fugirem de outras coisas também), e depois o quanto são apoiados pela mesma decisão. 
Sam comove os habitantes da pequena ilha onde habita pela sua história de vida: é órfão e luta por amor. Quantos deles já desistiram? Por outro lado, quantos deles se sentiram inspirados pelo menino? Na sua sinceridade ingênua, Sam, num diálogo com o capitão Sharp fala da solidão e do amor. Dá pra perceber que o menino, sem saber, vai sensibilizando as pessoas pela sua história e pelo que pensa.

Têm cenas hilárias ao longo de todo o filme! Achei o Sam muito engraçado!
uma das cenas mais engraçadas!
Nota: 8,5.