terça-feira, 23 de abril de 2013

Psicopata Americano (American Psycho)


Psicopata Americano é um filme que fala da obsessão pela imagem, não só a física mas a social também. O protagonista é Patrick Bateman (interpretado por Christian Bale em mais uma excelente atuação) um ricaço empresário de Wall Street que fica irritado pelos motivos mais banais e é capaz de matar e torturar pessoas. Podemos perceber que num ambiente sem valores humanos, cada detalhe banal dotado de significados que demonstrem poder, é decisivo para as relações. Aí, cartões de visita, a marca do terno, a melhor vista do apartamento e o restaurante que se frequenta podem dizer e determinar  como as pessoas são e como se relacionam, podem até se motivo para matar alguém.

Patrick Bateman tem uma preocupação excessiva com a sua imagem: usa uma série de cosméticos para a pele, faz uma série de exercícios físicos, massagens, bronzeamentos artificiais; tem obsessão pela beleza e pela limpeza. A cena da máscara é emblemática: insinua uma pessoa que vive sob uma máscara, mas que por trás não existe nada, é um vazio completo, e toda sorte de futilidades e banalidades ocupam o lugar. Ele tem uma imagem impecável - é bonito, usa os melhores ternos e as melhores gravatas. Pat tem um discurso bonito e politicamente correto, mas isso é só mais uma "casca", mais um artifício para manter uma imagem correta, e superficial. Nada mais.
Patrick é um personagem fantástico.


aqui com uma máscara de gelo para tirar as olheiras
nessa cena ele está transando com uma prostituta e se olhando no espelho
Todos os homens são iguais (no sentido de que todos são homogeneizados), exemplarmente demonstrado pelos seus cartões de visita que são todos iguais, apenas pequenos e ínfimos detalhes os diferenciam uns dos outros. Qualquer diferença considerada melhor é razão para Pat Bateman se enfurecer e se sentir confrontado. Ele simplesmente não pode ser inferior aos outros, ele deve ser o melhor.

Um dado muito interessante do filme em se tratando da indiferença de todos por todos é que facilmente as pessoas se confundem e trocam os nomes das pessoas por outras. Inclusive, Patrick é confundido várias vezes e numa dessas ele assume a identidade de um outro com muita tranquilidade. 


Sua noiva e sua amante são seres medíocres. Sua noiva é uma perua fútil e a amante vive dopada por uso de medicamentos...

Pat passa os dias fingindo que trabalha, discutindo qual é o melhor restaurante pra ir (inclusive é muito interessante ver como simplesmente ir a um determinado restaurante muito badalado [que esqueci o nome, começa com D] se torna símbolo de status e poder) e aos poucos começa a perder o controle sobre si. A sua onda de ira só parece passar quando maltrata ou mata alguém, e o pior, gosta disso, seu descontrole é demonstrado também quando imagina falando coisas assustadoras para os outros, coisas como xingamentos, confessando que gosta de matar moças, etc. Talvez na falta de referências sólidas, a busca por algo que o preencha se torna um problema. Usa drogas, tortura prostitutas e mata pessoas, com a mesma indiferença com que trata qualquer pessoa em qualquer situação. Mata suas vítimas inclusive no seu próprio apartamento enquanto explica os álbuns de música que tem em sua casa. As pessoas não significam nada para ele. Seu apartamento é ao mesmo tempo luxuoso e clean mas também comporta armas das mais variadas: machado, facas, serra elétrica e até uma pistola de pregos.



Pat tem muito dinheiro e poder, pode manipular e ter livre acesso para obter o que quiser, até mesmo quando confessa seus crimes para o advogado (que troca seu nome pelo de outra pessoa) este não lhe dá a mínima, se tiver que encobrir o caso, encobre, sem problemas; a sensação que fica é a de que ele (o advogado) quer se ver longe de qualquer problema, tipo assim: "Ok, você matou muitas pessoas. Dane-se, não quero problemas pra mim". Não se indigna, não se afeta, não se emociona, muito menos se discute qualquer coisa, a única preocupação é garantir a reserva do restaurante para mais tarde. E só. 

Patrick, mesmo sendo quem ele é, começa a se assustar em desejar matar as pessoas, fica sobressaltado com a reação do advogado: indiferença, nada.


A impressão que fiquei foi a de que, ao final, quando ele sai matando as pessoas, talvez tenha sido um surto que ele teve, acho difícil aquilo ter acontecido de fato, mas exemplifica bem o sentimento dele: matar a quem o incomodasse, o mínimo que fosse. E outra, ainda que ele fosse um monstro, à medida que tivesse dinheiro e poder, nada o impediria de fazer o que quisesse. Ele mata, confessa que matou e nada acontece, simplesmente as pessoas estão preocupadas com outras coisas mais importantes. É o caso do apartamento, onde ele mantinha diversos corpos mutilados, quando ele volta, o apartamento já tinha sido reformado e estava à venda, o importante aqui é não perder dinheiro.

Gostei muito do filme!
Alguma semelhança com os nossos tempos??

Nota: 10.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Histórias Cruzadas (The Help)



Esse filme fala do racismo e da coragem. E tem ótimas atuações.

Skeeter é uma moça, branca, que quer ser escritora e se sensibiliza com a vida das empregadas domésticas, na época, todas negras. Ela percebeu que essas mulheres além dos afazeres domésticos, cuidavam das crianças, geralmente de bebês até adultas, e eram consideradas muitas vezes como "mães", porque cuidavam de verdade, e eram elas as grandes responsáveis pela formação e criação dos brancos. Eram essas mulheres negras que formavam os "chefes" de indústrias, como não ouví-las? 
 
Aibileen
Skeeter é uma personagem peculiar, ela não segue os ditames da época: a mulher deveria se casar, ter filhos e ficar em casa. Ela sequer tem namorado e trabalha fora. Um escândalo. 

Skeeter
O filme é ambientado num período em que os EUA começavam a discutir os direitos civis e seu expoente máximo era Martin Luther King. Naquela época, a segregação era muito forte, e obviamente as empregadas não tinham espaço para falar nem para serem ouvidas; eis que Skeeter as busca para ouvir as suas histórias na intenção de publicá-las num livro. É claro que havia um receioóbvio por parte das empregadas  porque, caso alguém fosse descoberto (as histórias eram anônimas) elas seriam punidas por isso.

Existem algumas exceções, há "pessoas brancas" que respeitam os "negros" e "pessoas negras" que amam "brancos". Há também "pessoas brancas" que gostam dos "de cor", mas em nome de uma posição social, os ignoram e os desrespeitam. (uso aspas porque é muito estranho para mim classificar seres humanos em cores). Hilly (interpretada por Bryce Dallas Howard) é uma personagem odiosa, ela irrita qualquer um! Ela é a personificação do racismo. Ótima atuação!

Hilly e os banheiros
A "caipira" vivida por Jessica Chastain é ingênua e não vê diferença entre ela e sua empregada - a esquentada Minny (ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante) - a trata como alguém igual. Inclusive, achei a atuação das duas muito boa. É emocionante quando Celia (a personagem caipira) agradece à Minny por tudo... Inclusive, Celia é vítima de preconceito também... ela é ignorada pelas demais mulheres por ser considerada "caipira" e "fora de moda".

Celia e Johnny
Skeeter não tem vergonha e nem se intimida com os preconceitos da época, se lança ao seu sonho de ser jornalista e tenta entrevistar o máximo de empregadas negras, e confronta todos aqueles que são preconceituosos.

Curiosamente o filme dá ênfase às personagens femininas, os homens pouco aparecem, quando aparecem são geralmente retratados como covardes (o marido da Hilly que "escapa" quando a nova empregada pede um empréstimo), violentos (o marido da Minny que a espanca) e bobocas (como é o caso do pretendente da Skeeter) . Acho que o único que se "salva" é o marido da "caipira", que vê Minny de maneira igualitária.

parte do elenco
A primeira pessoa que aceita ser entrevistada, Aibileen, é uma personagem incrível e é a que mais aparece.  Aos poucos ela vai convencendo as demais mulheres a concederem  entrevistas para contar suas histórias e elas aos poucos vão revelando seus segredos.

Minny e Aibileen



O filme é isso, mostra a coragem de mulheres em revelar histórias de violência, desrespeito, mas também de afeto e amor que simplesmente não eram contadas, e que faziam parte da história de uma cidade, de uma país. E tudo isso começou porque uma jovem decidiu escrever sobre o que a incomodava.

Tem momentos de humor (como o da torta) e de emoção (como a história de Skeeter com a Constantine). A cena que mais me impressionou foi quando Skeeter relembra do seu laço afetivo com a empregada que trabalhou na sua casa por muitos anos, Constantine, e como a relação das duas foi importante para ela ser quem é.
 
Constantine e Skeeter quando era criança
No filme tudo acaba bem, embora eu tenha a impressão que naquela época as coisas eram muito piores...

Me ficaram duas perguntas:
O que fazemos com aquilo que nos incomoda? Será que "escrevemos" uma nova história?

Nota: 8.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O hipnotista (The Hypnotist)

O Hipnotista é um suspense promissor: diante de uma chacina cometida contra uma família inteira, há somente um sobrevivente - um menino de 15 anos que está em estado de choque. Único recurso possível? A hipnose.
O detetive Joona corre contra o tempo, porque podem ter outras vítimas da mesma família, e recorre ao médico Erik que é um especialista em hipnose e em pacientes traumatizados psicologicamente para ajudá-lo a desvendar esse terrível crime.  

Têm reviravoltas e surpresas, mas achava que o filme tentaria se enveredar pelos mistérios da hipnose, mas não. Quer dizer, ela é fundamental para se investigar o terrível crime, mas não tem nenhuma problematização quanto ao seu uso; no filme, apesar da resistência do médico em aplicá-la (ele teve problemas no passado por causa da hipnose), ela funciona bem.
 
detetive Joona
Achei um filme morno, se bem que fiquei "ligada" no filme o tempo todo, talvez tenha ficado assim porque esperava algo totalmente surpreendente (o que sempre esperamos, mas nem sempre acontece).

SPOLEIRS TALVEZ!
Na cena final, achei a investida da polícia muito mal sucedida e mal planejada. Como assim levam os pais para o local onde está o sequestrador do filho deles?? E só um policial para resolver o resgate da criança? 
O assassino era "louco" ou era carência? Estou ironizando, mas achei que faltou aprofundar as razões pelas quais o assassino cometeu os crimes, foi por influência, por pressão, por sugestão? Ninguém mata uma família inteira à pedido de alguém, ou pelo menos, não é tão simples assim. Em troca de quê fez o que fez? Achei que justificar o que fez porque ele era adotado e porque quem mandou era "louca", fracos demais.
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o menino que sobreviveu ao ataque à sua família e o médico Erik
a família do médico que acaba sendo envolvida na trama
É um filme bom, com reviravoltas e descobertas. Acontece que, conforme os fatos vão se revelando, quem assiste, facilmente presume o que poderá acontecer. 
É, tem isso, a vida às vezes é muito surpreendente e às vezes é muito comum também. A gente sempre espera algo MUITO incrível dos filmes, mas às vezes retratar o comum, o que muitas vezes tem mais a ver com a realidade, também é bem interessante (o que nem é muito esse o caso, afinal, AINDA BEM que assassinatos de famílias inteiras não são comuns...).

É um filme baseado num livro de mesmo nome. Será que são muito diferentes? Alguém leu?

Nota: 7.

quinta-feira, 7 de março de 2013

A Viagem (Cloud Atlas)


O filme A Viagem mostra basicamente  como as nossas vidas estão interligadas com o passado e futuro e como "carregamos" "marcas" de existência após existência. Me lembrou muito à um princípio budista chamado "originação dependente" que é, basicamente, uma relação de causas e condições que nos "liga" aos fenômenos e eventos constituindo uma rede infinita.

O filme conta seis histórias ao longo do tempo que se alguma maneira se cruzam, tanto sendo vivenciadas pelas "mesmas pessoas" como trazendo "rastros" das vidas passadas, e projetando movimentos e traços para o futuro.
Não irei contar as histórias aqui, são muitas, o filme é longo (são quase 3h de filme!) e principalmente porque já não lembro dos detalhes. Mas mesmo assim, consigo fazer algumas considerações. ; )

A rede interrelacionada dos personagens. Embora esteja dividida entre "bons" e "maus" e eu não acredite nisso, achei bem legal!
O filme retrata muitas histórias, embora isso seja um trunfo do filme é também um problema. 1º porque ficam muitas informações e depois porque algumas histórias ficaram inacabadas ou mal-trabalhadas, eu acho. A história do jovem compositor Frobisher (interpretado pelo brilhante ator Ben Whishaw, o mesmo que protagonizou "Perfume") foi muito interessante, mas subutilizado, sem falar que o ator que é muito talentoso não apareceu como acho que deveria aparecer. Inclusive eu estava com muitas esperanças nessa história, achei sensível e poética, mas...não se desenvolveu. 

à esquerda Vyvyan é um compositor consagrado e adoentado, à direita o jovem compositor Frobisher interpretado pelo incrível Ben Whishaw


A história do velhinho que fica preso num asilo e tenta fugir de qualquer jeito ficou deslocada pra mim... Sem contar que essa história é muito Sessão da Tarde - um grupo de velhinhos e suas aventuras. Não gostei. Ah, sim, sem falar no amor antigo que ele se afastou e que no final, inexplicavelmente, aparecem juntos.


a fuga do asilo
A história onde aparece o Tom Hanks como um integrante de uma comunidade tribal num mundo pós-apocalíptico chamado Zachry junto da personagem da Halle Barry como um membro de uma comunidade mais "avançada" achei tosca... O diabinho, Velho George, que azucrina a cabeça de Zachry (o eterno "Agente Smith", Hugo Waving) achei muito mal feito e esse personagem ficou solto no contexto... O que ele representaria? A única coisa que destacaria dessa história é a criação da deusa divina Sonmi. A gente entende o papel dela e como ela assume um lugar de Deus numa outra história, essa sim eu gostei, me lembrou o filme V de Vingança! 
Essa história se passa num futuro e mostra a "vida" (se é que aquilo se chama de "vida") das garçonetes de uma rede de lanchonetes - Papa's Song - que são programadas para trabalhar nesse local (o interessante é que comumente esse tipo de padronização do trabalho é destacado no "chão da fábrica" e nesse caso é numa rede de lanchonetes. SErá que já estaríamos vivendo isso?) - todas moram na "empresa" (empresa entre aspas porque não se trata de um organização de trabalho como a gente conhece [ainda eu acho, não sei]), acordam na mesma hora, são iguais na aparência, se alimentam do mesmo líquido (que depois decobriremos como macabramente são fabricados), são obrigadas a seguir um padrão de comportamento submisso e humilhante no trabalho tudo devido a um colar que usam que as fazem seguir essa conduta, a premissa é: "sempre agradar o cliente". Só vivem e conhecem isso. Até que uma delas tem acesso a um filme ou novela, não me lembro, em que um dos personagens se revolta com uma situação lá qualquer e diz que não vai mais tolerar aquilo; bom, isso serve de mote para que essa mesma personagem se rebele no trabalho e é morta por isso. Sonmi-451, a menina que a acompanhou nessa descoberta começa a observar as coisas de uma nova maneira... até que ela é resgatada por um membro de uma frente revolucionária contra a escravização dos ciborgues pelos humanos, e aí começa uma trajetória onde Sonmi vira um messias cuja missão é libertar os ciborgues da escravidão. Estaríamos hoje ausentes de messias que doem suas vidas em prol de uma causa?

Zachry e Meronym num mundo pós-apocalíptico

Sonmi, a Messias, é a do meio



Como os mesmos atores aparecem encarnados em vários personagens ao longo das histórias, algumas caracterizações ficaram bem legais (alguns irreconhecíveis), outras, nem tanto, como é o caso da japonesinha como a esposa do advogado que estava sendo envenenado e que foi salvo por um escravo. Ela está loira e de olhos claros, achei forçado ver uma mulher com traços japoneses assim.


a japonesinha com traços europeus
Um detalhe que me chamou atenção que o filme traz é o fato de trazermos e levarmos uma "bagagem" de uma vida para outra, além de marcas corporais (manchas na pele, sinais) que têm algum significado. Não é curioso?

Outra curiosidade é o título original do filme: Cloud Atlas. Cloud Atlas é a sinfonia composta pelo personagem Frobisher, sendo que essa música aparece numa das história onde a Helle Barry é um jornalista investigativa...
Aaqui Tom Hanks é um médico que envenena um jovem advogado para pegar seu dinheiro
O filme permite fazer várias correlações entre as histórias, isso é bem bacana. Cada história do filme se liga com as demais histórias de variadas formas. Algumas que fiz: a japonesinha que ora aparece como coadjuvante que apóia o marido na decisão de serem contra à escravidão, protagoniza uma revolucionária como Sonmi numa outra vida. Parece que o sentimento revolucionário estava sendo gestacionado há tempos atrás, até que em um momento se evidenciou. Um casal que se aproximou numa história, se sentiram tocados quando se viram pela primeira vez em outra história ou vida, aquela sensação de "nunca te vi, mas te conheço".

Nota: 7.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Django Livre (Django Unchained)


Devo confessar que não gosto muito do estilão dos filmes de Tarantino, mas gostei muito do Django Livre! É um filme com muita ação, drama, sangue e, claro, vingança. A vingança é o enredo principal do filme (bem como o de todos os filmes do Tarantino! rs!).

O contexto do filme é ambientando em pleno faroeste americano, antes da Guerra Civil Americana (Guerra da Secessão: 1861-1865), e existia a escravidão. O filme não nos poupa em mostrar os castigos, a exclusão e as humilhações infligidos aos negros. É muita angústia...

 


O filme se inicia com Schutz (Christoph Waltz), um caçador de recompensa,  que está em busca de um escravo que tem informações que ele precisa para caçar suas próximas "fontes de renda". Schultz trabalha para a Justiça, não é um matador por conta própria, tanto é que ele sempre se explica mostrando um mandato de algum juiz. Django é esse escravo que conhece as vítimas. Schultz o compra e fazem um acordo: Django mostra pra ele quem são as pessoas e o liberta no final da empreitada.

Django, ainda escravo à esquerda; Schultz à direita



Schultz é um senhor respeitador e educado que faz da lábia sua grande aliada. Ao longo da viagem, Django lhe confessa que após ser libertado, procurará por sua esposa que foi vendida para algum escravocata. Schultz, sensibilizado, faz outra proposta: trabalham juntos até o final do inverno, juntam dinheiro e vão em busca de Broomhilda, uma escrava que fala alemão. Schultz se justifica dizendo que ele jamais se recusaria a ajudar Django, que é similar a um guerreiro de uma lenda alemã, só que vivo.
Nessa longa jornada, Django vai se mostrando cada vez mais destemido e se destaca pela mira precisa, pela ousadia e pela forma como aprende a usar um discurso persuasivo tal como Schultz. Naquela época e nas situações em que os dois vivem, ou se conta uma boa e convincente história (e claro, ter uma impecável interpretação) ou a vida corre sério risco...

Django e Broomhilda
  Quando encontram o paradeiro de Broomhilda, elaboram um plano: fingem serem traficantes de negros lutadores para se infiltrarem e conquistarem a confiança de Calvin Candie (Leonardo Di Caprio), um jovem e poderoso proprietário de terras e fanático por lutas, dono da esposa de Django. Stephen (Samuel L. Jackson) é um criado antigo de Calvin, muito observador e perspicaz, é quase um conselheiro pessoal. Pronto, tá armado um enredo que dura quase 3h, com muitas reviravoltas e sangue.

Sr. Stephen (Samuel L. Jackson) e Broomhilda

  Embora seja um filme longo, não é cansativo, eu fiquei apreensiva a maior parte do tempo. A sensação que dá em cada cena é: "isso não vai dar certo". 
As atuações foram muito boas, destaco o ator que fez o Django (Jamie Foxx) e Samuel L. Jackson que está brilhante.
A trilha sonora é beeem legal, bem Tarantino, tem desde músicas de faroeste até rap. Doses de drama e violência combinados com humor também aparecem. Destaque para a cena onde homens encapuzados tentam armar uma emboscada para Django e Schutz e discutem a qualidade dos capuzes - é cômica. 
As intromissões do Sr. Stephen (Samuel L. Jackson), apesar de grosseiras, são engraçadas. 

Calvin Candie - cena tensa!
Posso dizer que Django, o personagem, é incansável. Está disposto a fazer tudo o que for possível para resgatar sua esposa (até se passar por um negro que tem desprezo por negros). Schultz se torna um amigo incrível, disposto a dar a vida por Django.  

a luta entre os escravos



Embora eu tenha gostado, não foi um filme que me suscitou muitas reflexões... Enfim, é um filme com as marcas clássicas tarantinescas, quem é fã vai gostar muito (até quem não é, como eu, gostei).

Nota: 8.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Cosmópolis



Hoje estou de “penetra” no Blog da minha grande amiga cinéfila... Se bem que não estou propriamente como penetra, porque houve um convite, mas um “auto-convite”, o que me permite considerar-me como penetra... e tentarei ser comportada... (risos) muito embora minha “verve escrita” me faça ser uma penetra meio “falante”... porque... sabe aquela regra de não escrever textos longos para não espantar leitores? Pois é... eu não sigo!


Mas vamos lá para quem tiver fôlego de ler. Cosmópolis, lançado em 2012, é o filme que venho me aventurar a fazer o que chamarei de “análise pessoal”. Até porque, ver filmes é isso: o roteiro em cena fica um tanto inacabado sem a percepção do espectador – não faz muito sentido contar uma história quando quem ouve (ou vê) não se implica a fazer sua “leitura pessoal”. E “analisar filmes” é isso: a descrição de uma leitura pessoal, com total liberdade, é lógico, de ser aceita ou rejeitada. E faz parte da boa brincadeira esse jogo de “acordos”. Pode até ser bem interessante discordar... E vamos à brincadeira:

Cosmópolis foi dirigido pelo canadense David Cronenberg e também é de sua assinatura o roteiro. O filme, em verdade, é baseado no livro homônimo do norte-americano Don DeLillo – escritor que adora dar uma de cronista da “atualidade atualíssima”, e o tema “tecnologização da vida”, e seus preços para a existência humana, é uma constante em seus textos. Cosmópolis, o livro, foi escrito em 2003, portanto, antes da grande crise estourada em 2008. Noutras palavras, é socialmente atento o escritor...



Para começar, Cosmópolis é estrelado pelo ator Robert Pattinson, o “eterno e queridinho” vampiro da saga Crepúsculo.  Para os amantes de Crepúsculo e enviuvados com o final da saga, saibam que Robert Pattinson possui vida fora de Crepúsculo, e foi muito bem neste filme que, embora não haja vampiros apaixonados, há o vampiro sociopata da nossa realidade cruel: o capital que a todos suga – vampiro esse uma vez mais na pele alva de Pattinson. Para os não chegados a “vampiros fofos” e até os que nutrem profundas ojerizas à série Crepúsculo, larguem suas resistências e dêem uma chance ao rapaz, ele realmente atua bem no filme; além do mais, tem gente de peso no elenco: Juliette Binoche, Paul Giamatti, Mathieu Amalric, Samantha Morton entre outros bons no assunto “telona”, que garantem os motivos para esquecer Crepúsculo e ver Cosmópolis... O filme de Cronenberg não chega a ser primoroso como “obra de arte”, nem é para ser. É um filme duro, meio indigesto, porque descreve – A MEU VER! – a personificação do capitalismo em pele e osso no personagem principal, o ricaço Eric Packer (Robert Pattinson) – ou o contrário, que dá no mesmo. Ou seja, imagina uma pessoa encarnada como capitalismo – e vice-versa? É a história do personagem principal neste filme!




No filme tem de tudo um pouco do que traceja nossa atual fase histórica por alguns historiadores e sociólogos chamada de “Hipermodernidade”: há aquela avalanche de riqueza sem fim nem limites nas mãos de meia-dúzia de gente (representada sob o insistente cenário feito no interior de uma limousine branca – o filme se passa, creio eu, em 90% de cenas dentro de uma limousine high tech!); há uma crise tremenda explodindo lá fora para a indiferença absoluta dos ricaços; e há também cenas de sexo, nudez explícita, assassinatos, violência e, lógico, tiros e sangue... mas o que chama mais a atenção são as constantes mensagens de atitudes imorais e amorais do personagem principal – afinal, o capitalismo é imoral e amoral ao mesmo tempo. Durante o filme – por sugestão minha, mas nada além de sugestão – tente visualizar o “capitalismo em forma de gente” e daí... se entende a ação do capitalismo – ou nem se entende, e se estarrece, porque a lógica do capitalismo é mesmo indecifrável! Ou seja... filme bem legal... mas que exige alguma atenção às nuances do personagem para ver nele o capitalismo encarnado. Há até umas cenas com frases marxistas e outras bem na linha da filosofia da Escola de Frankfurt (com destaque a dois de seus filósofos, Herbert Marcuse e Walter Benjamin). Não se preocupe, caso você não goste de Filosofia ou teorias sobre sociedade, economia e coisa e tal... tudo isso aparece no filme de modo muito sutil, velado, pedindo do espectador apenas alguma percepção ao que acontece em nossa realidade imediata, que é bem o estilo do DeLillo, ao usar a tática da mensagem dita sem dizer o autor delas – e a mensagem fica posta e sua essência transmitida; e nos deixa um desassossego incômodo... Em suma, livro e filme são sobre o capitalismo e sua existência no tudo que não passa de vazios constantes e sem escrúpulos, através de descrições da pobreza existencial do personagem principal, em sua vida repleta de nadas graças aos excessos que ele tem. Para quem quiser classificar o filme como “filme psicológico” fique à vontade... eu não sei se eu iria a tanto, mas cabe esta referência. Para mim, trata-se de um drama... um “drama social” numa roupagem de “drama pessoal”. Enfim... cada um que faça sua “análise pessoal” que está tudo certo: ninguém estará errado.




Vamos falar, então, do personagem principal. O garoto ricaço Eric – repiso: a meu ver! – é a personificação ipsis litteris do capitalismo: tem muito dinheiro (muito mesmo! Inimaginável até!) e faz de tudo sem limites e quase sempre sem sentido nem regras “lógicas” – aliás, cheio de lógica, a “lógica capitalista”: um tanto quanto incompreensível em termos racionais mais dignos. O garoto é ao mesmo tempo imoral e amoral justamente porque atende a esta única lógica capitalista: “servir a si mesmo”, servindo ao seu vazio, o que só aumenta a vacuidade de sua vida e seus (não)sentidos. Para mim, e por isso, o autor do livro homônimo, DeLillo, conseguiu esta brilhantemente façanha: tirar a personalidade do capitalismo e reencarná-la num “ser vivo”, ainda que ficcional, como é este Eric. Quero dizer... ficcional para nós, reles mortais que, ainda bem, não habitamos o mundo dos negócios. Sinceramente, eu não me surpreenderia se houver Erics, tais quais do filme, no 1% da população mundial que é a de magnatas das corporações existentes no planeta. Enfim..... o livro e seu filme nos aproxima desta realidade... surreal? Não... bem real mesmo! Que é a pulsação arritmada do capital voraz sem remorso – inventado, espraiado e magnificado por gente como o Eric.



Há cenas que merecem ser citadas... decerto sob minha “análise pessoal”... Puxo os holofotes para as seguintes:



(1) No filme, a atriz Samantha Morton traz uma ótima fala sobre o dinheiro: ela está na limousine (bem... como já descrevi, boa parte do filme é na limousine, então esta referência de cenário não pontua muita coisa!) e com o tal ricaço Eric (mas que garoto pedante e incrivelmente inseguro ele é, gente!); ela, parece-me, é algum tipo de marchand (não sei ao certo, pois ela aparece em cena apenas neste momento). A moçoila, então, descreve algumas verdades:


Agora toda riqueza é riqueza para o seu próprio bem.” – Isso é bem marxista. Karl Marx falou algo bastante próximo a isso quando descreveu alguns conceitos para o capital, e numa leitura concisa podemos traduzir a partir de Marx: “capital é o dinheiro que não produz nada além de dinheiro”. Enfim, a personagem não coloca nenhuma novidade aos que conhecem Marx, mas para quem não conhece, traz Marx em uma versão, digamos, “hipermoderna”, ou seja, mais nua e crua ainda... E aí... olha a telona citando Marx para a galera! Adorei!!!

Em seguida ela diz: “Como a pintura, o dinheiro também perdeu sua qualidade narrativa. O dinheiro está falando por si mesmo.” Esta constatação de que a Arte (pintura) perdeu “sua autenticidade” é típica da Escola de Frankfurt: pela breve citação no filme, e tomando-se emprestadas algumas inspirações de Walter Benjamin, aqui podemos apontar para a qualidade narrativa que o tempo resguardava à eloqüência da obra original, e que foi perdida graças à produção e reprodução sem fim de cópias que jamais falam através do “brilho”, da “aura” da obra original – tudo isso em nome dos lucros dados pela obra ora copiada e multiplicada. Tal cópia que não é mais Arte, não narra nem comunica nada, apenas decora e cumpre a oração capitalista de reproduzir-se exaustivamente esposada aos lucros, nada além. No entanto, pessoalmente, me perguntei qual teria sido a qualidade narrativa (perdida) do dinheiro, mas que ele hoje “simplesmente é”, eu não tenho dúvidas! Aliás, no fluxo desta minha interpretação bastante pessoal, penso que talvez a qualidade narrativa do dinheiro tenha sido a de contar fábulas: aquelas da “utopia modernista clássica”, do século XVIII para o XIX, que prometia A TODOS o mundo encantado, a conquista suprema e o eterno delírio dos sentidos após a fortuna acumulada. E como toda fábula... nada mais é do que uma “bela” história sem o menor compromisso com a realidade........ como o futuro – hoje presente – bem demonstrou: a fortuna definitivamente não é para todos. Na mesma cena – aliás, um plano de cena que dura poucos minutos, e é bastante reflexivo e crítico para quem gosta de saber um pouco mais sobre capitalismo e as estripulias do capital – em segundos depois a personagem de Samantha Morton diz: “Dinheiro faz o tempo”... Ora... note-se bem, ela não disse “tempo é dinheiro”, ela disse pior! E este pior é que é o centro da coisa toda! O dinheiro faz nosso tempo atual ser como é! Louco, desvairado, adoecedor e... que implica no surgimento aos magotes de existências pobres, paupérrimas de sentido – vale lembrar que tem muita gente morrendo fora da telona por causa deste tipo de vida, onde “tudo é para ontem” e não entende por que isso mata aos poucos e diariamente. Nesta cena, a personagem vai além dizendo: “O relógio acelerou o crescimento do capitalismo.”.... e seguem os dois, Samantha Morton e Robert Pattinson, discutindo sobre tempo e capitalismo!  Em minutos, é uma aula de sociologia sem uso de livros, textos longos ou autores difíceis. Muito boa a cena! A-D-O-R-E-I!!!!!!



(2) A cena em que o Eric bate um papo com seu guarda-costas (Kevin Durand) diante de uma quadra de basquete, é a descrição fidedigna da ação do capitalismo: quem mais serve ao capitalismo diligentemente confiando nele, é o que mais fulminantemente sucumbe pelas mãos do capitalismo. Cena forte e... inusitada!!! Ela fez-me lembrar daquela estorinha sobre o escorpião e o sapo (acho que é um sapo): o sapo ajuda o escorpião a atravessar um rio, e quando chegam seguros na outra margem do rio, o escorpião dá uma picada letal na cabeça do sapo; o sapo em seus últimos segundos de vida pergunta ao escorpião: “Por que você fez isso? Eu te ajudei!”, o escorpião responde: “Não sei por que eu fiz; só sei que minha natureza irresistível é essa.” Enfim.... natureza de escorpião traduzida em natureza de capitalismo, envolvendo o mais dedicado guarda-costas. Coitado... Bem, vá conseguir entender uma cena desta no filme! “Basta” conseguir entender o capitalismo! Coisa absurdamente difícil, convenhamos....



(3) A cena em que o Eric finalmente chega ao bendito barbeiro (George Touliatos) para cortar o cabelo, e passa mais da metade do filme para chegar lá – coisa que achamos por este tempo todo (em mais de 1h de filme, gente!) que faz parte dos caprichos quase obsessivos do Eric – explicou muita coisa! O barbeiro é a ligação familiar do Eric (sim, os magnatas não nascem de chocadeiras!) porque o barbeiro conheceu o pai do Eric como gente, se refere ao pai dele como gente, assim como o barbeiro conhece o Eric como gente. Aliás, o personagem do barbeiro parece ser a única alma com salvação no filme! Talvez seja, a cena com o barbeiro, a representação do encontro da humanidade que existe no capitalismo. Porque... ora.... capitalismo é criação humana, né? Não que o capitalismo seja “humanizado”, mas os humanos que manipulam o capitalismo... são humanos – leia-se: têm fragilidades (das grandes, devemos admitir!). Não à toa o Eric passa por inúmeros contratempos e esquisitices para chegar a este barbeiro... Bem, dando uma de “psicóloga de botequim”, penso: seria a tal “busca de si mesmo”? Talvez sim. Talvez seja a isso que DeLillo faça referência: a busca do si mesmo que está lá, nalgum lugar, mesmo que numa velha barbearia.  No barbeiro dá um pouco para “entender” o que o Eric queria quando descartou o guarda-costas: ficar sem proteção... se livrar das amarras de ter tanto mas ser escravo do tudo, e ver-se obrigado a ser vigiado e protegido 25 horas por dia, 8 dias por semana:  a liberdade não é companheira de quem tem tudo, este é o preço. Sei lá.... o capitalismo hoje quer ser menos “amarrado” e, assim, ficando mais exposto? E daí... armando sua própria ruptura? Afinal, a falsa liberdade diante de ter tudo é traduzida pelo ficar eternamente sob a “Espada de Dâmocles” (para saber o que é, leia em:  http://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%A2mocles). Há prisão maior? Há maior contradição que a não-liberdade capitalista impõe aos seus mais ilustres eleitos ricaços? E isso francamente cansa. Melhor morrer de uma vez! Então... talvez sim, Eric estivesse, no barbeiro, dando seus primeiros sinais de ruptura de si mesmo. Acho que foi isso o que DeLillo quis dizer... até porque... o barbeiro (seria ele a “consciência” de Eric?) joga na cara do Eric que ele está querendo esta exposição, esta não-segurança... esse risco de morrer (coisa que o Eric já demonstrara noutra cena “caliente” com a mulher daquele fiel porém literalmente traído guarda-costas). Noutros termos, as cenas no barbeiro são as mais, digamos, “sensíveis” do filme. Mas pára por aí.



(4) A última cena do filme, uma conversa entre Eric e o personagem do ator Paul Giamatti, penso ser ótima! Das melhores a meu ver. Este personagem é um cara que diz “Você acha que pessoas como nós não existimos? (...) Nós existimos!” e que, portanto, para mim, este personagem, Benno, representa as pessoas sobre as quais o capitalismo cospe e passa por cima. Há outras frases ótimas nesta tomada de cenas. Benno diz para o Eric: “Toda sua vida é uma contradição. Por isso você está arquitetando sua própria queda.” E não é isso o que os movimentos de resistência anti-capitalista, fartos e tomados de ódio amargo (com toda razão!) dizem ao capitalismo? Enfim......... antever a ruptura certa do capitalismo não é conhecimento privilegiado dos pensadores sociais críticos. Eles pressentem, traduzem isso, e burilam uma análise mais a fundo daquilo que, todavia, tantos massacrados já bem sabem, porque sentem no corpo há tempos o peso de um velho gordo barbudo, ganancioso mas já canceroso, chamado capitalismo. Uma cena bem na linha da filosofia frankfurtiana, mormente quando Herbert Marcuse já vaticinava as convulsões que o capitalismo expiaria, agudizando marchas a crises inelutáveis – vale lembrar que Marcuse, em 1967, anunciou em público tal coisa e em Maio de 1968 uma enorme crise gritou e sangrou por inúmeras avenidas européias. O interessante também é que o senso suicida do mimado Eric fica mais “óbvio” no encontro com o personagem de Paul Giamatti. Na minha análise – ok, uma “elucubração” pessoal, confesso – trata-se de uma boa discussão quase existencial entre os resistentes, ou revoltados, ou massacrados, e o sistema capitalista; em suma, entre Benno e Eric. Durante tal discussão, Eric – o sistema em essência – quer se dar um tiro na boca, mas ele acaba atirando na própria mão (incrível que Benno – as massas cansadas em essência – ainda ajuda Eric a estancar o sangue na mão!). Belíssima e sutil analogia acerca de que até os que não vão com a cara do capitalismo fazem alguma coisa, mesmo sem saber, que mantém o sistema sobrevivendo. O sistema capitalista padece porque o próprio sistema se sabota – inevitável devido à sua natureza de escorpião capaz de picar até a si mesmo. E no filme, este é um motivo a mais para que os revoltosos queiram matar o capitalismo. E eis o clímax: segundo a ótica do filme, querem matar o sistema nem tanto por ele ser tão amoral e imoral... mas porque... esperavam que o sistema não fosse tão frágil e os salvassem! Os curassem! O que, logicamente, nem de longe o capitalismo o faz. E o que acontece no filme?.... Vejam lá....... Limito-me a dizer que o roteirista joga a bomba. Que, na verdade, traduz nossa incógnita atual bem real fora dos cinemas: o capitalismo morrerá por si mesmo? Ou pelas mãos dos amotinados frente esta crise que se agiganta e nos impõe decisões de atirar (ou não)? Que rufem os tambores....



Para finalizar, é do meu feitio prestar muita atenção a uma trilha sonora de filme. Amo música, e filmes têm a magia de usar e abusar da música para nosso enlevo ou tensões... o que, sem percebermos, nos amarra aos filmes. Tenho duas colocações a fazer sobre a trilha sonora de Cosmópolis:



(1) Ela é assinada pelo compositor canadense Howard Shore e pelo indie rock – vulgo “rock independente” – da banda, também canadense, METRIC. É bem legal... mas, me perdoem... os fundos de guitarra lembram muito o estilo da banda U2, só falta entrar a voz do Bono Vox. Para quem quiser ouvir, eis a música “White Limos” (“Limousine Branca”) em: http://www.youtube.com/watch?v=-B8SzX7bSZk


 



(2) Tem uma música bem legal do rapper e poeta somali-canadense K’naan – cantando “Mecca”. A cena em que aparece a música é inconfundível: durante o funeral de um jovem rapper, amigo do Eric. A curiosidade é que quem faz o defunto é o próprio rapper que canta a música: K’naan! Ele até se saiu bem na foto... Para quem quiser ouvir esta ótima música, um Hip Hop de altíssima qualidade que funde elementos somalis, ouça lá:




Enfim.......... bom filme!!!!!!! Eu achei!!!! Muito bom!!!! NOTA 10!

Não sei se concordarão... caso não concordem, está tudo certo... porque ninguém estará errado.